A «Cidade do Trabalho», como é habitualmente designada S. João da Madeira, recebeu a Exposição «Álvaro Cunhal - Vida, Pensamento e Luta: Exemplo que se Projecta na Actualidade e no Futuro» e GREVE DOS SAPATEIROS 70.º ANIVERSÁRIO. Durante o dia do passado sábado, 3 de Agosto, cerca de uma centena de pessoas passaram pela Exposição, disposta pela Praça Luis Ribeiro, onde se realizou, à tarde, uma sessão evocativa, com meia centena de participantes.

 Esta sessão que, tal como a exposição, se realizou ao ar livre, foi orientada pela camarada Fátima Guimarães, e contou com uma intervenção de fundo, seguida atentamente pela audiência, proferida pelo camarada Joaquim Almeida. Fátima Guimarães é membro da Direcção da Organização Regional de Aveiro e Joaquim Almeida é membro do Comité Central do PCP.

A cidade do trabalho que, cada vez mais, é outra cidade da desindustrialização, da precariedade, do desemprego, do empobrecimento, teve a oportunidade de recordar não só a figura de Álvaro Cunhal, como uma importante luta dos operários sapateiros iniciada em 5 de Agosto de 1943, há, precisamente 70 anos.

Esta greve foi muito para além de um episódio na luta antifascista. Como bem se recorda no folheto distribuído, a organização dos trabalhadores, sob a orientação do PCP e em torno do seu sindicato de classe, demonstrou, com a luta, o valor da sua mercadoria, o trabalho, surgindo como elemento externo ao feroz sistema terrorista e repressivo do regime fascista, com efectivas condições de o abalar.

Em 5 de Agosto, às 8 horas, o pessoal parou o trabalho ... da parte da tarde continuou nas ruas, de fábrica em fábrica, esclarecendo e incentivando à continuação da greve... Pelas sete horas da tarde, chegava a S. João da Madeira o subdiretor da PIDE, capitão António Cardoso dos Santos, a comandar uma brigada da PIDE; duas horas depois, chegava também uma Companhia de Infantaria do Regimento 24 de Aveiro. Nesse dia à noite, a PIDE fez dezenas de prisões. Os grevistas, escoltados pela PIDE foram levados para o Porto. S. João da Madeira foi, durante 2 meses, ocupada militarmente e mantida em estado de sítio!"

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A organização de uma luta pressupõe a existência anterior de uma organização política em condições de realizar aquela. Toda a luta política necessita de organização.... Unindo-se e lutando por objetivos concretos imediatos, sentidos por toda a classe, os trabalhadores ganham consciência, pelo próprio desenvolver da luta, de que o seu inimigo não é apenas o patrão individualmente considerado, mas a classe dos capitalistas e o Estado e o governo fascistas.

As greves operárias realizadas nos anos de 1943-1944-1945, mostraram pela sua intervenção e força organizada por iniciativa do Partido e por acção do Partido, ser a força de vanguarda, a força dinamizadora da luta antifascista, sobrepondo-se à hegemonia da luta antifascista até aí pertencente à burguesia liberal. 

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3COD - Exposição

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