Uma delegação da CDU, onde se incluía Miguel Viegas, candidato às próximas eleições legislativas, e Octávio Augusto, da Comissão Politica do PCP, esteve reunido com pescadores na Docapesca de Aveiro. As políticas da União Europeia foram particularmente desastrosas para o sector da pesca. Apesar de sermos dos maiores consumidores de pescado do mundo e detentores das maiores áreas de pesca da União Europeia, Portugal, depois de ter reduzido a sua frota em 50%, importa já 70% do peixe que consome. A região de Aveiro sofreu na pele os impactos destas políticas. Hoje, ao nível da pesca costeira e em particular na pesca da sardinha, existe apenas uma única embarcação a praticar a arte do cerco. Contudo, a não serem tomadas medidas concretas e urgentes, a mesma poderá desaparecer, deixando a região ainda mais pobre e dependente.

Escassas semanas após o início da época de pesca à sardinha, a CDU deslocou-se à Gafanha da Nazaré, reunindo com pescadores na lota de Aveiro para ouvir as principais preocupações dos homens da arte do cerco. Com a quota ibérica mais baixa de sempre, a situação começa a tornar-se insustentável para quem investiu somas avultadas em equipamentos para depois trabalhar sensivelmente metade do ano, em virtude das paragens biológicas impostas por Bruxelas. Não se contesta a necessidade de uma exploração sustentável dos stoks de pescado, aliás, o PCP, quer no Parlamento Europeu quer na Assembleia da República, tem apresentado diversas propostas para reforçar os meios financeiros necessários à realização de estudos científicos (proposta apresentada no Orçamento do Estado 2019 e rejeitada pelo PS e PSD). A questão reside no facto que não são seguramente as embarcações portugueses que são responsáveis pelo esgotamento dos recursos. Não é por acaso que grande parte da sardinha comercializada nas lotas portuguesas é pescada por armadores espanhóis nas nossas águas.

Miguel Viegas, depois de tomar nota das justas reivindicações dos pescadores, lamentou a escassez dos apoios existentes que estão longe de compensar as paragens biológicas e colocam, hoje, em causa o futuro na nossa frota do cerco. Por outro lado, os nossos pescadores são vítimas de uma concorrência desleal quando os seus colegas espanhóis beneficiam de um custo de gasóleo que é metade do praticado em Portugal. A renda cobrada pela Docapesca assim como a cobrança energética constitui outra exorbitância que dificulta a permanência daquela que é hoje a única embarcação de cerco registada neste Porto. De acordo com declarações de Miguel Viegas, "A pesca constitui um sector fundamental para a região e para o país. Os armazéns da Docapesca foram construídos com fundos da União Europeia e não é aceitável o valor da renda cobrada. Depois do que ouvimos aqui, tudo iremos fazer, quer junto da Docapesca, quer junto do governo para activar os mecanismos necessários à preservação e modernização da nossa frota pesqueira".


Aveiro, 17 de Junho de 2019
O Gabinete de imprensa da CDU

 

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