A CDU considera o sector agrícola como prioritário para o Distrito. Miguel Viegas, que foi deputado e membro da Comissão dos Assuntos Agrícolas do Parlamento Europeu teve uma profusa intervenção nesta matéria reunindo com agricultores, visitando explorações e organizando debates com técnicos, académicos e produtores. A CDU analisou os fundos do desenvolvimento rural atribuídos à região de Aveiro no actual quadro comunitário e concluiu que os mesmos não estão a ser devidamente aplicados. Existe uma excessiva concentração das ajudas que estão a ser canalizadas para grandes empresas em detrimento das mais frágeis. Por outro lado, investimentos tão importantes como a valorização dos nossos recursos endógenos e do nosso património genético estão completamente arredados de qualquer apoio. Estas são razões que reforçam a necessidade de eleger um deputado da CDU por Aveiro que poderá contribuir para uma melhor aplicação dos fundos comunitários que neste caso não estão ao serviço do desenvolvimento da região.

A CDU defende para o distrito uma aposta na revitalização do sector agropecuário em bases sustentáveis, com predomínio da pequena e média exploração e dos circuitos curtos de produção e comercialização. Para isso, é necessário desde já começar a trabalhar no próximo quadro comunitário com destaque para o Plano Estratégico que irá balizar a aplicação da Política Agrícola Comum em Portugal. É preciso assegurar uma mais justa distribuição das ajudas e promover uma forte aposta na agricultura local por forma a valorizar os recurso endógenos e diminuir a pegada ecológica dos nossos alimentos. Sucede que o actual Quadro Comunitário, ao nível dos desenvolvimento rural, está nas antípodas do que é necessário para uma agricultura socialmente mais justa e ambientalmente mais sustentável.

  • Ponto 1: uma excessiva concentração das ajudas. Até ao momento foram apoiados 460 projectos de investimentos na região onde existem cerca de 8700 explorações agrícolas registadas. Ou seja, 94% das explorações não receberam qualquer ajuda ao investimento. Por outro lado, 8 projectos absorvem 50% do fundos totais atribuídos até ao presente (cerca de 35 milhões de euros para a região de Aveiro). Finalmente, entre estes 8 projectos está a Lusiaves, um dos maiores grupos avícolas nacionais com uma facturação superior a 400 milhões de euros anuais.
  • Ponto 2: investimentos fantasmas. A conclusão do dique do Baixo Vouga Lagunar para impedir a salinização dos terrenos agrícolas está contemplada. Esta inclusão é positiva muito embora faltem as infraestruturas de rega e o emparcelamento sem os quais não será possível tirar partido daquele potencial. Mas a preocupação da CDU advém do facto de não haver ainda qualquer obra no terreno quando estamos já na reta final do actual quadro comunitário de apoio. Esperemos que esta não seja mais uma mera operação de propaganda.
  • Ponto 3: o que não está a ser apoiado. A valorização do sector agrícola em bases sustentáveis implica a valorização dos recursos endógenos e em particular do património genético regional. Nada vemos quando à valorização das raças bovinas Marinhosa e Arouquesa. Nada vemos relativamente à raça Bísara, tão importante no quadro da certificação do leitão da Bairrada. Nada vemos também relativamente às castas tradicionais da Bairrada e em particular à casta Baga ou à tão necessária recuperação da Estação Vitivinícola da Bairrada em Anadia que está em ruínas e sem actividade.

A CDU intervém há longos anos em defesa de um modelo de desenvolvimento agrícola sustentável e ao serviço da coesão social e territorial. É este trabalho que a CDU se propõe continuar na Assembleia da República a partir de 6 de Outubro. Assim o queira a população do distrito de Aveiro.

Gabinete de Imprensa da
Coordenadora Distrital de Aveiro da CDU

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