No lançamento do I Caderno Temático sobre Educação, os comunistas relembram que, para satisfação total das necessidades educativas no concelho, faltam construir, concluir ou remodelar 13 escolas.

Arouca, em termos geográficos, é o maior concelho de Aveiro. Ao todo, são 329 Km2 de território. Essencialmente rural, formado por vales e montanhas. Há freguesias que distam mais de 20 Km da sua sede concelhia. Entretanto, nos últimos cinco anos, cerca de vinte aldeias viram encerradas as suas escolas primárias. Os alunos dessas escolas acumulam-se, agora, pelas escolas sobreviventes, uma boa parte nas duas recentemente inauguradas - pólos educativos, assim chamados. Há um terceiro praticamente concluído, mas só abrirá portas no próximo ano. A carta educativa concelhia prevê a construção ou remodelação de outras 13 escolas, para satisfação plena das necessidades educativas dos arouquenses. A Câmara Municipal, dando uma no cravo outra na ferradura, não se compromete com o integral cumprimento deste plano. Entretanto, a autarquia não possui uma rede de transportes escolares própria. Os alunos sujeitam-se assim aos incompatíveis horários da única empresa rodoviária a operar na região. Para mal de pecados (porque ele nunca vem só), conforme se ouviu na última assembleia municipal, os novos pólos abriram este ano lectivo e já apresentam os velhos problemas: é o pessoal não docente que é insuficiente; as impressoras que não têm tinta; os quadros interactivos colocados ao contrário da disposição dos alunos na sala; a segurança que não está acautelada; a passadeira de estrada que não existe; outras sinalizações de trânsito que também não há; o poste de alta tensão junto a uma nova escola e à mão de semear dos alunos, etc..

O quadro não é bonito e o PCP quer - e exige – que os arouquenses tenham o pleno direito a uma educação de qualidade, pelo que, ontem (23 de Setembro), apresentou publicamente o seu I Caderno Temático, que procura fazer incidência no reordenamento do parque escolar, ao nível do 1º ciclo, efectuado nas últimas décadas em Arouca, estabelece, simultaneamente, «um olhar crítico e alternativo à radiosa realidade cantada pelo governo e pelo poder autárquico local, relativamente a esta matéria», expressou na apresentação do documento, Francisco Gonçalves, um dos co-autores do caderno agora publicado.

Aspecto da sessão de Apresentação do 1º Caderno TemáticoA educação, assunto sempre permanente na ordem do dia, tanto em Arouca como no resto do País, reuniu cerca de 40 pessoas – professores, na sua maioria - , que aproveitaram a oportunidade para debater, igualmente, outras áreas relacionadas com o tema. «As questões que, aqui, nos trazem, não são muito diferentes, quando comparadas com a realidade nacional no sector educativo», começou po expressar Jorge Pires, da Comissão Política do PCP, defendendo que « os pais, os professores e os estudantes não podem ficar impávidos perante os problemas que se apresentam nas escolas, com a política economicista desenvolvida pelos últimos governos», sustentando que «a cartilha liberalista» está a provocar vários impactos «não só, em claro prejuízo dos contribuintes, ou seja dos trabalhadores, mas também do País, nomeadamente quanto à sua soberania e assimetrias, tanto no contexto regional como internacional».

«Não está provado, em lado nenhum, que a acumulação de alunos em grandes centros escolares promova o sucesso educativo. O que está provado, para já, é que o encerramento de escolas efectuado por este governo, provoca um prejuízo a milhares de alunos, com o problema do seu deslocamento, diminuindo assim o tempo de convívio e de educação no seio das famílias», referiu ainda aquele dirigente comunista.

Abrindo o debate sobre o documento agora apresentado, Carlos Gonçalves, igualmente membro da Comissão Política do PCP, reafirmou os problemas em causa e lançou o mote para a discussão: «no momento, em que se encerra uma escola numa região, dá-se um passo de gigante no sentido da desertificação humana». Em jeito de conclusão das opiniões suscitadas entretanto pelos presentes, o mesmo dirigente comunista resumiu que «os objectivos educativos concelhios só serão atingidos se a Adminstração Central e Local cumprir a sua parte, no respeitante aos compromissos anteriormente assumidos, nomeadamente naquilo que se refere ao cumprimento integral da carta educativa concelhia», concluindo, por isso, que «tendo essa carta - mal ou bem -, sido discutida e aprovada democraticamente pela esmagadora maioria dos arouquenses, deve ser, por isso, respeitada. Logo, o PCP não só a defende, mas igualmente exige o seu integral cumprimento».

«Reordenamento do Parque Escolar do 1º ciclo e o Mundo Rural»

Título para o I Caderno Temático, com produção e autoria da Comissão Concelhia do PCP/Arouca e de alguns independentes locais ligados ao sector do ensino, destinado à radiografia exaustiva em matéria de políticas educativas e sociais, desenvolvidas nas últimas décadas, ao nível do 1º ciclo, naquele concelho.

Utilizando vários instrumentos expositivos – fotografia, registos bibliográficos e textos de vária e diversificada abordagem (histórica/social/educativa/política), estas páginas fazem-nos recuar no tempo (década de 60), permitindo-nos viajar nelas até aos dias de hoje, onde, num quadro de um imenso território, tipicamente rural e montanhoso - e, por isso, ainda hoje assaz isolado e desertificado - vão sucedendo vagas de encerramento das antigas escolas em quase todas suas aldeias e a sua substituição por, escassos e centralizadores, pólos escolares.

Porém, não se julgue a importância deste documento, apenas pela retrospectiva histórica local que, aqui, nos é revelada. De facto, o tratamento e atenção que dá às várias opções políticas – privilegia o confronto ideológico entre PCP e os partidos com responsabilidades governamentais nesta matéria - e a forma como retrata a incidência social permite-nos a revelação de um outro propósito: “provocar na comunidade debate(s) que possibilite encontrar, nesta matéria, as soluções mais adequadas para o nosso concelho”.

Apresentado no dia 23 de Setembro, em Arouca, no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários, este I Caderno terá uma edição de mil exemplares para venda ao público, podendo ainda ser consultado em www.cduarouca.wordpress.com.

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