Saiu o Boletim da Célula do PCP no CHBV (Hospital). Reflectindo as dificuldades levantadas aos profissionais, descrevendo-as detalhadamente, levanta o véu sobre uma das facetas mais trágicas da estratégia da política de direita no sentido da destruição do Serviço Nacional de Saúde. Aponta responsabilidades e apela à luta de profissionais e utentes contra o flagelo imposto por obscuras razões à população, em benefício da ganância de alguns interesses privados que querem médicos e enfermeiros baratos e desempregados,

 

INFORMACÇÃO
Boletim da célula do PCP no CHBV
DESABAFOS DE ENFERMEIROS...
Cuidar é o nosso trabalho constante, mas agora sentimo-nos cansados... Com um horário em constante alteração, sempre com mais horas que não são remuneradas, se o forem são pagas ao "preço de chuva" e que nos retiram as folgas devidas, sentimo-nos desvalorizados, exaustos e desiludidos com uma profissão que parecia ser gratificante e aliciante. Fins-de-semana e feriados são dias em que estamos sempre lá...sim, no nosso local de trabalho porque a "semana de trabalho” é em regra, entendida de segunda a domingo. Temos direito a um descanso semanal, acrescido de um dia de descanso complementar, mas o que acontece é que muitas vezes estamos sete ou oito dias seguidos sem um dia completo de folga, havendo casos pontuais de 10 dias. Noutros, devido à falta de pessoal, sai-se de um turno da noite e regressa-se no dia seguinte para fazer novo turno sem o devido descanso necessário para a boa prática de cuidar e causando mais probabilidades de acontecer o “erro”. A exaustão devido à falta de descanso não permite que as responsabilidades exigidas sejam cumpridas sem prejuízo do nosso alvo de cuidados, os utentes. Esta exaustão e o sentimento de incapacidade de cumprimento, conduz a baixas médicas que ainda agrava mais a situação da falta de enfermeiros. Também devido a esta situação dos enfermeiros nota-se nos cuidados que prestam, na sua capacidade de resposta, na dificuldade de articulação da vida profissional com a pessoal e até a casos de “burnout”. Muitos foram empurrados para realizar 12 horas diárias (prescindindo da conquista histórica das 8 horas de trabalho diário) para poderem acumular com o exercício da enfermagem noutro local e, assim, fazer face às baixas remunerações recebidas (ainda mais baixas com a brutal carga fiscal dos últimos anos). A admissão de 18 novos enfermeiros no ano de 2014 não veio repor os que estavam em falta até porque as necessidades se mantiveram ao ponto de ser necessário contratar em Janeiro de 2015 mais 19, que não vieram resolver a situação devido às saídas verificadas por reforma ou emigração. A contratação recente de mais 32 enfermeiros com contratos precários, continua a ser insuficiente até porque estes novos contratados não vêm para normalizar o horário de trabalho

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dos existentes, mas sim para colmatar ausências temporárias. A prova da falta de enfermeiros nos vários serviços verifica-se quando no fim de cada mês se continua a ter horas positivas, em alguns casos de 60 e mais horas, que é pressuposto o horário ter, horário este, alterado pelo Governo de 35 para 40 horas semanais com o objectivo de reduzir custos, não admitindo mais recursos humanos e explorar os existentes. Devido a mais cortes na saúde e às dificuldades económicas que os hospitais têm, não há conhecimento que sejam admitidos mais enfermeiros em 2015 no CHBV o que faz prolongar e agravar este problema. Além do problema atrás mencionado, verifica-se ainda a injustiça do não pagamento como licenciados e a ilegalidade verificada nos vencimentos desta classe. No caso dos enfermeiros contratados vão auferir um vencimento de 1165€ quando por lei deveria ser de 1201€. Também nos serviços do CHBV existem outros enfermeiros com vencimentos inferiores a este o que é inaceitável e injusto, uma vez que noutros centros hospitalares esta situação já foi regularizada. Tudo isto comprova que, tal como os médicos ou os assistentes operacionais, os enfermeiros são vítimas da política de direita que destrói o Serviço Nacional de Saúde e, por isso, mais do que nunca é preciso lutar para interromper este ciclo vicioso e dar condições aos profissionais e dignidade aos utentes, por um país de justiça, progresso e desenvolvimento!

Uma administração semi-nova, o mesmo Ministro, o mesmo Governo. Perante a situação insustentável de degradação dos cuidados prestados, com sofrimento da população, escassez de pessoal e recursos, cortes sucessivos, e deterioração das condições laborais, a contestação cada vez mais firme dos trabalhadores do hospital e a insatisfação crescente dos utentes puseram a nu a total ineficácia do Conselho de Administração nomeado em 2012 pelo actual Governo. Alguns problemas foram sendo relatados na imprensa, como a manipulação das listas de espera cirúrgicas, a sobrelotação do SU onde se espera e se morre sem dignidade, o fim da urgência de neurologia, a ocultação da lista de espera de Hematologia, a tragicomédia dos cadáveres na Urgência. Outros, muitos e com certeza mais graves, que os profissionais de saúde conhecem e enfrentam todos os dias, e não são

notícia. Lembremo-nos que foi o Governo que decretou e o CA que implementou uma política de redução de funcionários públicos, incentivando reformas antecipadas, promovendo rescisões e proibindo contratações. Foi esta política que levou a graves insuficiências de recursos humanos, à contratação de trabalho escravo através dos Contratos Emprego-Inserção, à necessidade de realizar horas extraordinárias ilegalmente acumuladas em banco de horas e à degradação dos serviços e ambiente laboral. Foram os sucessivos governos de direita (PS-PSD-CDS) que congelaram progressões na carreira, fazendo-as depender de um sistema de avaliação, SIADAP, arbitrário, injusto e que abre portas a promoções por compadrio e colaboracionismo ao invés de critérios de competência profissional. Foi este Governo que reduziu os salários em mais de 20%, para além de aumentar o horário de trabalho para as 40h e roubar feriados. Foram PS, PSD e CDS que encolheram o orçamento da saúde enquanto esbanjavam milhões em contratos SWAP e enquanto estavam sempre prontos a salvar os grande accionistas do BPN, do BANIF e do BES, sem que se haja qualquer responsável por tamanho roubo. A todos os níveis a luta tem sido intensa. Apenas a título de exemplo, recordamos a grande adesão à greve dos trabalhadores da administração pública de 13 de Março, em que houve dificuldade em ter trabalhadores que assegurassem os serviços mínimos, e a crescente mobilização dos trabalhadores médicos que, na forma de um comunicado, conseguiram abrir brechas no anterior Conselho de Administração. A pressão que estes factos originaram revelou-se quando, perante a re-nomeação eminente do CA, dois vogais que dele faziam parte se demitiram, o que acabou por levar à realização de um abaixo-assinado primeiro e uma manifestação depois, em que era evidente a revolta com as condições degradantes no seu trabalho, dos muitos auxiliares, administrativos, enfermeiros, técnicos e médicos, que nelas participaram. Em Março, no auge destes acontecimentos, o mesmo Ministro de Saúde, Paulo Macedo, acabou por afinal nomear um novo CA para o nosso hospital. Será possível que este Governo e este Ministro, que dizendo proteger o SNS o destroem, que defendem afinal os grandes interesses privados, que querem médicos e enfermeiros baratos e desempregados, nomeiem uma administração que reconheça e resolva os problemas do

nosso Hospital? As notícias mais recentes confirmam a falta de respeito de Paulo Macedo e deste Governo pela constituição e pelos direitos mais básicos dos trabalhadores. A ameaça de não pagar salários aos funcionários dos hospitais com dívidas a fornecedores é difícil de levar a sério, se não tivesse sido aprovada como decreto de lei, e afecta imediatamente o nosso Hospital. Trata-se de uma medida intimidatória. Então, que esperar de uma administração nomeada por esta gente? É preciso continuar a lutar! É preciso fazer o novo CA perceber que com profissionais unidos em torno da defesa de um trabalho digno com direitos e de um SNS forte, não pode continuar a maltratar o Hospital, os seus trabalhadores e acima de tudo os utentes que a ele recorrem. O PCP apela à intensificação da luta dos trabalhadores do CHBV, contra a política de direita que arruína os trabalhadores e o país e contra todos os que se prestem a executá-la. Em defesa da dignidade do trabalho com direitos, em defesa do direito constitucional à saúde, a Luta continua!

 

CONVITE
No próximo dia 17 de Abril, pelas 20:00, o Partido Comunista Português realizará no Restaurante «O Buraco» (Rua Antónia Rodrigues, 31 - a escassos metros da Praça de Peixe, Aveiro) um jantar-debate sobre a situação da Saúde e, em particular, dos profissionais deste importantíssimo sector. Além do debate do momento presente, pretende-se abordar igualmente as propostas do PCP e colher contributos de profissionais do sector para a elaboração do Programa Eleitoral com vista às próximas Eleições Legislativas. A intervenção inicial estará a cargo da deputada do PCP Paula Santos, que é membro da Comissão de Saúde da Assembleia República.

Contamos consigo! A célula do CHBV do PCP

 

 

Junta-te à luta e organiza-te: adere ao PCP! Nome:________________________________ Profissão:_____________ Tlm:_______________ Email:___________________________________ Preenche e envia este formulário para Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou Av Lourenço Peixinho 168, 3800-161 Aveiro

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