Miguel Viegas, deputado do PCP no Parlamento Europeu, acompanhado de Filipe Guerra, eleito municipal e Ana Valente da Direcção Regional de Aveiro, esteve esta quinta-feira em Aveiro em contacto com o projeto Sal de Aveiro dinamizado pela Associação Comercial de Aveiro e que envolve igualmente a Universidade de Aveiro. Graças ao trabalho dos deputados do PCP no Parlamento Europeu foi possível incluir o sal na lista de produtos biológicos. Esta iniciativa ocorre num momento em que decorrem negociações sobre a regulamentação da produção de sal biológico.

 As visitas às marinhas da Noerinha e da Ostraveiro, onde se produz respetivamente sal e ostras, demonstram bem as potencialidades de desenvolvimento deste setor. O valioso património das marinhas de sal de Aveiro, hoje abandonado na sua quase totalidade, espelha por outro lado, a incapacidade da autarquia e da Comunidade Intermunicipal de Aveiro para encontrar uma estratégia de valorização deste setor e das suas atividades conexas.

A produção de sal marinho, sendo hoje residual, está presente na paisagem e na memória coletiva da população de Aveiro. Paulatinamente, em muitos casos sem apoios públicos e vencendo obstáculos administrativos, alguns agentes económicos lançaram-se na recuperação de marinhas de sal, numa estratégia diversificada onde se incluem outros produtos como a salicórnia ou as ostras ou ainda serviços turísticos. São exemplos que apontam para a necessidade da autarquia e da região fazer mais por este setor.

 O concelho de Aveiro tem uma área significativas de marinhas de sal que está abandonada. De acordo com Miguel Viegas, impõe-se em primeiro lugar a necessidade de cadastrar toda a área para determinar e separar o que é do domínio público e o que é do domínio privado. Importa depois partir para um plano sustentado de recuperação das marinhas visando a sua exploração, na certeza de que o sal marinho produzido em Aveiro está ao nível dos melhores do mundo, como atestam as análises realizadas. Outro aspeto importante que poderá ajudar ao desenvolvimento das marinhas, passa pela sua classificação como atividade agrícola à semelhança do que já acontece em França. Em suma, os eleitos do PCP entendem que é possível fazer mais por este setor, colocando as salinas no centro de uma estratégia de desenvolvimento que promova a região e os seus produtos e reforce a sua identidade.

Aveiro, 22 Março 2019

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