Teve hoje lugar em Vilarinho do Bairro (concelho de Anadia) um protesto de algumas dezenas de produtores de batata em torno da situação particularmente grave deste sector.

Apesar de Portugal produzir menos de metade do que precisa para as necessidades alimentares do País, os produtores de batata (particularmente, os detentores de pequenas e médias explorações) encontram-se, uma vez mais, a braços com uma crise gravíssima para escoar a preços justos a sua produção.

A ausência de quaisquer entraves a importação, por um lado, e a completa lei da selva instituída pelas grandes superfícies, que impõem preços ruinosos junto dos produtores, por outro, são factores determinantes para esta situação.

A inércia do Governo é escandalosa, num quadro em que, tal como hoje testemunhado alguns produtores são forçados a vender a 4 ou 5 cêntimos por quilo, para depois encontrar as suas batatas à venda por 20 a 25 vezes mais!

Se considerado que há poucos apoios e que os factores de produção são muito caros, facilmente se percebe que, para muitos, produzir batata é um acto que dá prejuízo a cada ano, sendo por isso insustentável no médio prazo.

O PCP fez-se representar nesta acção de protesto e de viva voz exprimiu a sua solidariedade com os agricultores em luta, exortando-os a continuar, pois é a luta o factor determinante, quer para medidas de cariz imediato que permitam escoar a preços justos a produção, quer para medidas de fundo que permitam criar condições para que trabalhar o campo não seja uma actividade ruinosa - algo que, mais do que grandes investimentos, exige a coragem política de afrontar os grandes lobbies da distribuição e as ruinosas políticas comunitárias.

Aveiro, 25 de Julho de 2017
O Gabinete de Imprensa da DORAV do PCP

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