A Direcção da Organização Regional de Aveiro (DORAV) do PCP reuniu no dia 4 de Outubro de 2017, analisando o actual quadro da situação política internacional, nacional e distrital, com particular ênfase no balanço das Eleições Autárquicas e projecção das tarefas futuras no que toca à intervenção do PCP e ao seu reforço orgânico.

1. A DORAV do PCP saúda de forma muito calorosa as centenas de homens, mulheres e jovens, militantes e não militantes do PCP e do PEV que, nos últimos meses, permitiram dar resposta às inúmeras tarefas que se colocaram ao Partido e à CDU. Fosse no quadro das eleições ou no âmbito da preparação, divulgação e concretização da Festa do Avante!, tudo o que se alcançou não seria possível sem a abnegada e desinteressada entrega deste importante colectivo.

2. Nestas Eleições Autárquicas a CDU apresentou-se e agora confirma-se como grande força de esquerda no Poder Local, ao lado das populações nas suas mais fundas aspirações de uma vida melhor. O resultado destas eleições, com perda de 2 mandatos em Assembleias de Freguesia e 5 em Assembleias Municipais, no cômputo geral do distrito de Aveiro, não é separável de uma linha de silenciamento, deturpação e até caricatura realizada por alguns órgãos de comunicação social, aliada ao aproveitamento político que algumas forças fizeram da sua posição de poder e à emergência do populismo e demagogia de várias forças políticas que agora se apresentavam – com o seu logótipo ou travestidos de independentes – como grandes paladinos da defesa das populações, quando nos últimos anos foram cúmplices (quando não obreiros) da perda de qualidade de vida decorrente da privatização da água e da recolha de resíduos, da ausência de uma política de transportes públicos adequada às necessidades, da promoção das desigualdades sociais, entre outros.

3. Sendo iniludível o que de negativo tem o resultado para a CDU, são sobretudo as populações dos concelhos em que a CDU vê a sua representação reduzida, particularmente nos casos em que deixa de ter representação, quem mais perde, ao deixarem de contar com o a intervenção directa dos eleitos do PCP, do PEV e dos independentes que integram a Coligação.

4. Sendo predominantes os factores externos na construção deste resultado, é naturalmente necessário corrigir-se estilos de trabalho menos positivos que contribuem para que o intenso trabalho dos eleitos do PCP e da CDU seja, por vezes, desconhecido dos trabalhadores e das populações ou refém da agenda de outras forças políticas, cingindo-se a responder a problemas imediatos. Assim, melhorar a coordenação, promover um estilo de trabalho mais colectivo e intensificar a ligação às massas populares são linhas prioritárias para o mandato que agora se inicia.

5. Regista-se como positivo a recuperação de um eleito na Assembleia Municipal de Anadia, e nas freguesias de Angeja/Albergaria-a-Velha, Cesar/Oliveira de Azeméis, Fiães/Santa Maria da Feira, Sangalhos/Anadia (passando de um para dois), São Jacinto/Aveiro (passando de zero para dois), Pardilhó/Estarreja (passando de três para quatro) – freguesia onde, de resto, a CDU fica a 20 votos de ser a força política mais votada.

6. Tal como analisado em profundidade pelo CC do Comité Central na sua reunião de 3 de Outubro, a situação nacional continua fortemente marcada pelos resultados já visíveis de uma política de recuperação de direitos e rendimentos que, sendo levada a cabo por um Governo do PS, decorre de uma enérgica intervenção do PCP, tanto no plano institucional, como na mobilização, esclarecimento e informação na sociedade em geral. Tais resultados demonstram de forma cada vez mais viva que, não apenas o caminho seguido pelo Governo de PSD/CDS não era inevitável, como quanto mais se valorizar o trabalho e os trabalhadores, mais se redistribuir riqueza, mais se reforçar os serviços públicos, mais se contribui para melhorar a situação do Povo e do País.

7. Os indicadores económicos positivos dos últimos meses não apagam nem podem iludir a continuação da existência de défices estruturais, de uma economia desequilibrada e dependente, da chaga do desemprego e da precariedade e das graves desigualdades sociais que atravessam o País e o Distrito. O combate eficaz a esta realidade - consequência de décadas de política de direita – passa necessariamente pela implementação de uma alternativa política, patriótica e de esquerda, que assente no aumento dos salários, na defesa e promoção da produção nacional, na libertação de Portugal de constrangimentos externos decorrentes da participação no Euro, para que se reveste de importância maior a renegociação da dívida pública e a nacionalização da banca comercial.

8. O PCP continuará a bater-se por estes objectivos, desde já no quadro da discussão do Orçamento do Estado para 2018, mas também de forma mais geral, como, de resto, fica evidente nas últimas semanas com a apresentação de propostas, de onde destacamos as já aprovadas medidas, tanto no plano nacional para erradicar a precariedade da Administração Pública, como no plano distrital para reabilitar e modernizar a Linha do Vale do Vouga, incluindo a ligação a Viseu.

9. As semanas e meses que se seguem serão de intensa actividade do PCP, quer com a realização de várias reuniões e assembleias de âmbito concelhio e de freguesia, quer com a continuação de iniciativas de agitação e propaganda, de onde destacamos a realização de uma jornada distrital em torno da valorização das conquistas da nova fase da vida política nacional e das batalhas ainda por travar para que se vá mais longe no caminho de reposição de direitos e rendimentos, de 26 a 28 de Outubro. A esta grande acção associar-se-ão iniciativas em defesa da Linha do Vale do Vouga, o retomar das comemorações do centenário da Revolução de Outubro, e várias outras tomadas de posição e acções em torno dos problemas vividos pelos trabalhadores e as populações do Distrito.

10. O reforço do PCP, designadamente ao nível do recrutamento e enquadramento de novos militantes, da difusão e leitura do Avante!, do aumento da recolha financeira (particularmente de quotas) e da criação e/ou revitalização de mais organismos (particularmente de empresa ou sector de actividade), mantém-se como tarefa fundamental de todo o colectivo partidário e pedra angular de uma intervenção cada vez melhor e mais profunda em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo.

 

 

 

 


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