A campanha de autêntica propaganda levada a cabo pela administração da Renault Cacia – considerada uma vez mais “a melhor unidade do grupo” – não podem ocultar a cada vez mais grave realidade vivida pelos trabalhadores da empresa, caso para dizer que, “quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro”.

Na sequência do famigerado “acordo de competitividade” imposto em 2016, os resultados positivos cingem-se ao aumento dos lucros da empresa, decorrente de uma produção cada vez mais intensiva, de ritmos de trabalho cada vez mais acelerados, de uma redução significativa da massa salarial, de uma crescente pressão e penalização sobre todos os que ousam questionar a situação e as contínuas imposições aos trabalhadores – que já chegaram à própria proibição de fumar!

Mas tememos que a história não acabe por aqui!

Neste campo ganha particular destaque a expansão da precariedade laboral dentro da empresa. Ao contrário do prometido em 2016, são cada vez mais as situações de trabalho temporário, seja por recurso a vínculos a prazo, a empresas de mão-de-obra ou, agora e cada vez mais, a estágios do IEFP.

Ainda que sejam passados alguns trabalhadores com contrato a prazo a efectivos, essa passagem não é sequer ao ritmo da saída de trabalhadores por mútuo acordo ou para a reforma. Entretanto, no final do ano de 2017, como acontecia no passado, houve mais um conjunto de trabalhadores que viram o seu contrato não renovado e foram, assim, lançados no desemprego.

O PCP alerta para o facto de muitos destes trabalhadores estarem agora a ser substituídos por novos trabalhadores para desempenho das mesmas funções, o que é uma gritante ilegalidade!

O PCP alerta ainda para o facto de a Renault Cacia estar a ter benefícios fiscais decorrentes da integração de estagiários do IEFP que são antigos trabalhadores da empresa, ou seja, vendo recompensada a sua política de contratar e despedir trabalhadores à revelia da lei.

O PCP sublinha que esta empresa pertence a um grupo que acumula lucros milionários e que até admite que a massa salarial não é relevante no quadro das suas despesas, algo que reforça a imoralidade de todo este processo.

O PCP continuará a denunciar todas as situações de atropelo aos direitos e exploração dos trabalhadores, seguros de que só com a elevação da qualidade de vida dos trabalhadores (direitos e rendimentos) Portugal poderá trilhar o caminho de justiça social, desenvolvimento e soberania que precisa para ter futuro!

Aveiro, 2 de Fevereiro de 2018
A Célula da Renault Cacia do PCP


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