No âmbito da sua intervenção e procura em aprofundar o conhecimento sobre a situação no Centro Hospital do Baixo Vouga (CHBV), uma delegação do PCP reuniu recentemente com o Conselho de Administração (C.A.) deste centro hospital.

Entre os vários assuntos abordados, a questão da falta de profissionais é certamente aquela que mais impacto e consequências traz ao CHBV. De acordo com os números avançados pelo C.A., estão em falta mais de 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal auxiliar. De tal ordem, que, para que sejam cumpridos os horários e assegurar as escalas de serviço é "obrigatório" recorrer a trabalho suplementar. São já dezenas de milhar as horas de trabalho extraordinário acumuladas! E os seus efeitos também já se sentem, stress, cansaço acumulado, esgotamento, por parte dos trabalhadores,  mas também a nível dos utentes com tempos de espera mais longos, impossibilidade de realizar alguns exames complementares de diagnóstico depois de determinada hora, entre outros.

Esta é uma das visíveis consequências de décadas de política de direita e de ataques ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que conduziram a inúmeras dificuldades no acesso à saúde e à falta de capacidade de resposta do SNS. O actual Governo tem o dever de defender e recuperar o SNS.

Para resolver os problemas do SNS não bastou afastar PSD e CDS do Governo, é preciso outra política de saúde que o Governo PS tarda ou recusa concretizar.

O PCP já anunciou que trará à discussão um plano de emergência para a saúde que incluirá medidas de reforço dos meios humanos, financeiros e materiais do Serviço Nacional de Saúde, como seja: identificar as carências de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes administrativos e operacionais e proceder à sua contratação e substituir as subcontratações e vínculos precários por contratações com vínculo público efectivo, como prevê o Orçamento do Estado para 2018 por proposta pelo PCP; valorizar os profissionais de saúde no plano social, profissional e remuneratório, através da melhoria das condições de trabalho, reposição de direitos e dignificação das carreiras.

É urgente uma outra política para a saúde e para o SNS. Uma política que dê resposta aos actuais constrangimentos, que não se submeta a imposições estrangeiras, e que utilize verbas dos valores actuais de superavit (cerca de 4 mil milhões de euros) para o SNS e não para o pagamento anual de 7 mil milhões de euros só em juros de dívida.


Os utentes e os profissionais do SNS sabem que contam com o PCP para romper com as opções da política de direita, para defender o SNS e os serviços públicos, para defender o direito à saúde.

O Gabinete de Imprensa da DORAV
Aveiro, 1 de Março de 2018


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