Na empresa que assegura o transporte público urbano de passageiros na cidade de Aveiro, continuam a verificar-se situações incompreensíveis, ilegais e que colocam em causa a qualidade do serviço prestado e a segurança rodoviária.

Além da continuidade do não cumprimento dos tempos mínimos de descanso dos motoristas, pois existem trabalhadores que chegam a estar ao serviço 14 horas (por via dos tempos de intervalo sem remuneração) associadas às horas suplementares de carácter obrigatório e permanente e que ainda são confrontados para fazer dias de folga. Estas situações fazem com que aumente o stress laboral e se reduza no descanso e na conjugação da vida profissional com a pessoal e familiar.

Além disto, chegou ao conhecimento do PCP que a Transdev ("empresa mãe" da ETAC/AveiroBus) estará a preparar-se para chamar profissionais afectos à Transdev para colmatar falhas e necessidades permanentes na AveiroBus. Isto confirma o que o PCP tem vindo a alertar, a falta de pessoal na AveiroBus para fazer face às necessidades decorrentes da prestação de um serviço de qualidade à população do concelho, contudo, a solução em calha não irá resolver a questão, uma vez que se trata, isso sim, de desregular, ainda mais, os horários dos motoristas da Transdev, e não a de reforçar o quadro de pessoal.

O PCP alerta para esta "fusão", a troca de quadros entre a AveiroBus e a Transdev, (algo que no passado já aconteceu entre a Transdev a agora extinta MoveAveiro), e chama a atenção que, independentemente das soluções que estejam a ser equacionadas para o transporte público de passageiros, no concelho e inter-concelhos, a AveiroBus resulta de um processo único de concessão de transportes feito pela Câmara Municipal de Aveiro que antecedeu um concurso público, que apesar de tudo está sujeito a regras e é limitado no tempo de duração.

Mais uma vez quem sofre com tudo isto são os utentes, que têm autocarros sem aquecimento e com falta de conforto, que viram os seus tarifários serem aumentados e nenhumas melhorias em termos de horários e percursos, as queixas multiplicam-se, mas a Câmara Municipal de Aveiro não parece estar incomodada com isso, remete apenas para a possibilidade de os utentes poderem a partir de 1 de Abril usar também os autocarros da Transdev com o mesmo passe mensal da AveiroBus, descurando o estado dos autocarros, a sua capacidade para transportar carrinhos de bebé, pessoas com mobilidade reduzida ou até a impossibilidade dos mais idosos subirem a bordo, sendo que todos os autocarros da Transdev não estão adaptados ao serviço urbano!

É de igual modo incompreensível, que uma transportadora que presta um serviço público, coloque autocarros sem acesso a pessoas com mobilidade reduzida a fazer os percursos que incluem o Hospital Infante D. Pedro, onde para além dos habitantes de Aveiro, são transportados imensos estudantes Universitários. Não teremos todos os mesmos direitos à mobilidade?

O passado já nos mostrou quando a MoveAveiro estava na rota para o inicio da extinção, e foram "oferecidas" à Transdev as carreiras que mais dinheiro rendiam, e a sua subsequente substituição pela AveiroBus, que a prestação, por privados, do transporte de passageiros, resultou num pior serviço para a população de Aveiro.

É importante lutar pela reversão da AveiroBus à esfera pública, gerida para os interesses dos utentes e não de um lucro desenfreado de privados.

O PCP acompanhará de perto toda esta situação, como sempre o fez, e apoia a luta dos trabalhadores e da população em prol de melhores e mais direitos, justos e com igualdade para todos.

Aveiro, 28 de Março de 2018
O Gabinete de Imprensa da DORAV do PCP

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