Depois de anos de grandes dificuldades e crise, o sector do calçado conhece hoje franca expansão no nosso País. A par dos têxteis, são sucessivas as notícias que relatam os recordes ultrapassados e os números bem gordos de lucros, receitas e investimentos neste sector.

Neste processo de ressurgimento meteórico, poucas vezes se fala do papel dos trabalhadores, do seu empenho e da qualidade do seu trabalho, factores cruciais para a obtenção de tais resultados. De resto, as vezes que se refere a situação dos trabalhadores é, na maioria dos casos, para dar voz às lamentações do patronato sobre as dificuldades em captar mais trabalhadores para o sector, designadamente jovens trabalhadores, como se tal facto decorresse de algum obstáculo cuja origem fosse desconhecida ou escapando à lógica humana.

O que fica por referir, porque raramente se dá voz aos trabalhadores, é que se multiplicam os casos de baixos salários (baixíssimos se vistos à luz da rentabilidade do sector!), de intensidade exagerada dos ritmos de trabalho, de imposição de esquemas de "flexibilidade" horária que muito contribuem para a incompatibilizar a conciliação da vida familiar com a vida profissional.

Veja-se o caso da ECCO, empresa sediada em Santa Maria da Feira, que conta com cerca de 1.700 trabalhadores, dos cerca de 20.000 que estão espalhados por outros países, exemplo de expansão, tanto no distrito de Aveiro, como no País como um todo. Este é um exemplo acabado da situação do sector do calçado a todos os níveis, tal como constatou a delegação do PCP que contactou com os trabalhadores no âmbito da campanha nacional "Valorizar os trabalhadores, mais força ao PCP!" na passada 2ª feira.

De resto, é significativo que, tal como noutras empresas, também aqui, tenha sido por via da luta reivindicativa que se alcançou aumentos salariais a partir de Abril provando-se que há margem para tal dados os resultados da empresa e que a união dos trabalhadores os torna mais fortes em defesa de melhores condições de vida.

O PCP prosseguirá o trabalho de denúncia e esclarecimento dos trabalhadores, apelando a que continuem a lutar pelo justo aumento dos salários, o fim da caducidade da contratação colectiva, a erradicação da precariedade e a compatibilização da vida pessoal com a vida profissional.

Aveiro, 2 de Abril de 2018
O Gabinete de Imprensa da Dorav do PCP

 

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