A Renault Cacia continua a ser considerada a melhor unidade do grupo Renault, obteve resultados recorde, triplicando em 20 anos a produção de caixas de velocidades. Como resultado a Renault já anunciou um investimento de 150 milhões de euros, provenientes do estado através do Portugal 2020, na fábrica portuguesa, nos próximos anos.

Este crescimento continuo da Renault Cacia, sobretudo nos últimos dois anos, em muito se deve ao grande empenho e esforço dos trabalhadores desta fábrica, que têm vindo a ser cada vez mais explorados, sendo sujeitos a ritmos de trabalho cada vez mais intensos e a salários que são cada vez mais baixos.
Perante os resultados positivos e as perspectivas de futuro da fábrica seria expectável que, tal como prometido em letras garrafais e com apadrinhamento do Governo aquando da imposição "acordo de competitividade 2017-2020", em 2016, se respondesse à situação de trabalhadores com vínculos precários no desempenho de funções permanentes.

É bom lembrar que em 2016 foi prometido que seriam passados a contrato efectivo 150 trabalhadores. Porém, quase dois anos depois, o que se observa é um profundo retrocesso! Note-se que em 2015 a empresa registava 138 trabalhadores com vínculo precário, porém, em 2016 eram já 310 e em 2017 subiu para 340!

Assim, perguntamos:
- como será em 2018?
- qual a percentagem de trabalhadores com vínculo precário na unidade de Cacia?
- quantos trabalhadores com vínculo efectivo se reformaram ou rescindiram por mútuo acordo desde 2016?
- quantos trabalhadores com vínculo precário passaram a efectivos desde 2016? – estará a Renault a preparar-se para dizer que integrou 150 trabalhadores no quadro, mas esconder que a precariedade na empresa aumentou para mais do dobro?
- como explica a Renault que, num quadro de franca expansão, seja ostensivamente ignorado o princípio legal que "a um vínculo de trabalho permanente corresponde um contrato efectivo"?
- saberá a administração da empresa perceber que os resultados negativos dos inquéritos de satisfação feitos aos trabalhadores têm a ver com a degradação abrupta das condições de trabalho e não com uma "noite mal dormida"?

Além do galopar da precariedade, as consequências deste "acordo" continuam a ser sentidas pelos trabalhadores, designadamente a imposição de trabalho em dia feriado não remunerado, ao abrigo da "bolsa de horas", como aconteceu na passada 6ª feira. A resposta de largas dezenas de trabalhadores ao fazer greve neste dia demonstra a sua insatisfação perante esta injustiça que lhes é imposta.

O PCP saúda esta importante resposta e apela à união e luta dos trabalhadores da Renault Cacia, para continuarem a reivindicar melhores condições de trabalho, melhores salários e reposição de direitos!

Aveiro, 11 de Abril de 2018
O Gabinete de Imprensa da Dorav do PCP


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