Sob o lema "É justo, possível e necessário: devolver a urgência a Espinho", teve lugar na noite de dia 14 de Outubro um debate promovido pelo PCP na Junta de Freguesia de Espinho. Os oradores desta iniciativa foram António Moreira da Costa (médico espinhense) e Diana Ferreira (deputada do PCP na Assembleia da República).

Durante a sessão, que contou sempre com a sala a transbordar pelas mais de 60 pessoas que marcaram presença, abordou-se a história do encerramento da urgência em Espinho (há cerca de uma década, promovida pelo Governo PS/Sócrates) e as gravosas consequências para a população, que viu o atendimento permanente "trocado" por uma ambulância - que agora ninguém sabe bem o serviço que realiza.

Uma década depois é evidente que o modelo adoptado não funciona e, como salientou Moreira da Costa, as consequências decorrentes desta opção política são terríveis para os utentes, quer de Espinho, quer de Gaia, pela canalização de todos para o Hospital Santos Silva (em Gaia), algo tanto mais ilógico se tido em conta que o Hospital de Espinho tem espaço e até algum material para a reabertura de um serviço de urgência, assim houvesse por parte do Governo o tomar de medidas que o garantisse. Para tal, como o PCP vem defendendo, uma das hipóteses mais viáveis passaria pela constituição de uma Unidade Local de Saúde que concentrasse todas as valências já existente, integrasse cuidados de saúde primários e permitisse reabrir a urgência, captando utentes de todo o concelho, mas também de freguesias limítrofes de Gaia, Feira e Ovar - algo que contribuiria também para desafogar os serviços dos respectivos hospitais que, como é público, estão confrontados com um número de utentes bem maior do que aquele para que foram concebidos.

Por seu turno, a deputada Diana Ferreira, sublinhou como o que se passa em Espinho resulta de uma estratégia nacional, concertada, para concentrar serviços, degradar o Serviço Nacional de Saúde e favorecer o florescimento de negócios privados em torno do direito à saúde - algo aliás bem fácil de verificar em Espinho. Nesse quadro, é urgente que seja invertida de forma estrutural a política levada a cabo por sucessivos governos PS/PSD/CDS e se dote o SNS dos meios necessários para satisfazer as necessidades das populações, em condições de universalidade, gratuitidade e qualidade como previsto pela própria Constituição da República Portuguesa. Para tal, sublinhou Diana Ferreira, é decisivo que as populações possam intervir, mobilizando-se e lutando por aquilo que é um direito inalienável seu: o direito à saúde.

Aveiro, 17 de outubro de 2016
O Gabinete de Imprensa da DORAV do PCP

 

 


 

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