Isabel Lemos

Enquanto militante do partido e eleita pela CDU para a AMM, considerou a Comissão Concelhia do PCP que eu deveria deixar aqui um depoimento e saudação. Aqui estou.

Os tempos são difíceis e negros para o povo português. Aqui como em todo o país, sofrem-se as arbitrariedades, os saques e sente-se a desesperança. Os comunistas não podem deixar que a desesperança ocupe os portugueses que sofrem com a dureza das medidas de austeridade, com o desemprego e a emigração. Sofrem com os sacrifícios que fazem para pagar dívidas que não entendem e muito menos os juros elevadíssimos, que servem para sustentar os interesses do capital internacional, sem rosto, mas que nada tem de fantasma. Que sofrem com os cortes nas reformas que servem para encher institutos, observatórios, PPP. Que sofrem com os cortes nos salários, sofrem com os cortes no SNS, e sobretudo com a transferência de dinheiro público para esquemas obscuros de um serviço de saúde privado que nasce paralelo, injusto e se agiganta. Sofrem com os cortes na educação e mais as transferências de milhões de euros de impostos para o ensino privado. Que sofrem com a destruição da economia nacional, e o enriquecimento das grandes empresas que têm vivido protegidas pelo estado. Na verdade dói que a justiça e o governo continuem a não punir os saqueadores do BPN, a não lhes tirar o dinheiro que é de todos, e ainda a oferecem-lhes negócios pagos pelos próprios portugueses que vão empobrecendo dia após dia.

Por tudo isto a luta cada vez é mais necessária e importante. Cabe ao PCP a vanguarda dessa luta e por isso é necessário e importante que o partido esteja unido e organizado. É importante e necessário que as organizações locais tenham consciência da grande responsabilidade que lhes cabe. Convém então aqui lembrar que, muito em breve, se iniciarão os trabalhos preparatórios da IX Assembleia da Organização de Aveiro. É necessário e importante, dinamizar, participar, refletir. Em tempos como os que atravessamos, em que o ataque aos trabalhadores, aos seus direitos e até à sua dignidade, cresce e se aprofunda, assumem particular importância a informação e organização. A existência do Centro de Trabalho da Mealhada é prova disso e incentivo às tarefas importantes e necessárias de apoio e crescimento do partido no concelho, do reforço da atividade nesse sentido. É necessário e importante que nos sintamos cada vez mais comunistas.

Como tem vindo a ser evidente, ou talvez nem tanto, dado que nem sempre os órgãos de comunicação social mostram as acções que se vão organizando e desenvolvendo, preferindo dar voz a associações recentemente aparecidas e cuja consistência é duvidosa, mas, dizia eu, os trabalhadores não têm ficado parados, conscientes que, quanto mais silenciosos e invisíveis forem, melhor serão servidos os interesses do grande capital. Neste Outono quente pleno de lutas e negação de pontes, as iniciativas têm sido muitas, tantas que por vezes nos parece que afinal a semana tem mais de sete dias e os dias mais de 24h... Recordemos as ações das comissões de utentes dos vários serviços públicos, dos trabalhadores dos transportes, das comunicações, das autarquias locais, dos enfermeiros, dos professores, das polícias,...

Ainda bem recentemente, a 26 de Novembro, decorreu uma importante jornada que mostrou bem a angústia e a revolta dos portugueses. E já outra se aproxima a desenvolver-se na semana de luta decidida pela CGTP, de 16 a 20 deste mês. Este é um concelho de uma espécie de "agulha", usando a terminologia do contexto ferroviário, tão presente neste concelho, entre dois distritos, e os comunistas estarão onde, por razões de organização profissional e sindical, tiverem que estar, nos locais de trabalho, nas várias iniciativas e na rua, na rua, seja no dia 19, em Coimbra, ou no dia 20, em Aveiro. Os trabalhadores comunistas só podem estar presentes e darem testemunho da sua convicção e força. Não podem consentir que, apesar das muitas razões, se instale o baixar de braços, a desesperança. Cabe aos comunistas organizar a luta e, parafraseando e abusando das belas palavras de Manuel da Fonseca, escrever a "revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo" e ser "um farol erguido no alto de um promontório", que envie a luz "que toca de esperança o coração dos homens de todas as latitudes".

Aqui tentamos ser comunistas assim. É esta a nossa forte convicção e é com ela que saudamos e agradecemos a presença do camarada Jerónimo de Sousa.

Maria Isabel Lemos

Mealhada, 5 de Dezembro de 2013

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