Para a esmagadora maioria, a reeleição de Cavaco Silva não pode ser motivo de regozijo nem, infelizmente, de esperança. Cavaco Silva é um dos políticos com maiores responsabilidades na situação a que chegámos. Está profundamente comprometido com as políticas de direita que disseminam pobreza, desemprego, estagnação económica, desigualdade, degradação dos serviços públicos, entre outros malefícios, ao mesmo tempo que promovem a acumulação de riqueza nas mãos de um punhado de famílias poderosas.

As eleições eram uma oportunidade para sacudir o rumo de declínio e injustiça social que atinge a grande maioria do povo português. No entanto, continua a haver muito eleitores que não relacionam o exercício do direito de voto, e o sentido que lhe dão, com a solução dos problemas e das angústias que estão a ser impostas nas suas vidas. Nesta medida, não usam os poderes de mudança e influência que teria cada voto, votando mesmo contra os seus próprios interesses. A montante disso, pesam os poderosos condicionamentos produzidos pelos grandes órgãos de comunicação social, em especial as televisões, de onde resultam ideias que, não correspondendo à verdade, marcam de forma decisiva e intencional os processos eleitorais.

A votação – como foi, em insistência em dar condições de governo a Sócrates – é contrária aos legítimos interesses da grande maioria da população, dos trabalhadores, dos desempregados, dos pensionistas e reformados, da juventude deste país, é contrária mesmo às verdadeiras expectativas de desenvolvimento do país, incluindo a saída do atoleiro em que está.

O PCP que não contesta os resultados eleitorais mas que não pode deixar analisar as suas consequências, continuará a intervir para que consciências e sentido de voto rompam de vez com o rumo seguido. Portugal precisa de outras opções políticas, também ao nível da presidência da República. A candidatura de Francisco Lopes assumiu esta necessidade e apresentou propostas, pese embora as dificuldades colocadas à sua divulgação na comunicação social. Foi a candidatura sem qualquer compromisso com a política de direita. Francisco Lopes foi o único candidato com uma acção na Mealhada onde, aliás, e como fez em múltiplas intervenções ao longo da campanha, deixou ideias importantes que justificam a atenção de quem vive e trabalha no nosso concelho.

Pelas suas ideias e sentido de ruptura, a candidatura de Francisco Lopes era merecedora de outra e mais expressiva votação. Mas saudamos as centenas de eleitores que, no concelho, votaram nela, assinalando-lhes que esse voto constitui um factor de motivação também para a intervenção política local do PCP.

O PCP, na Mealhada, fez o que estava ao seu alcance para evitar a vitória de Cavaco Silva. Mas é preciso reconhecer que, com diferenças que não são de suficiente significado, em relação ao todo nacional, a expressão local de voto acabou também por se traduzir, dominantemente, na tal oportunidade perdida. Sendo verdade que há dados que evidenciam descontentamento, consideramos que ele foi indevidamente orientado, pouco consequente com as dificuldades vividas e insuficientemente comprometido com as rupturas que é urgente fazer. Lamentamos a dimensão da abstenção e o desperdício de votos numa altura em que todos/as podiam intervir com especial força para influenciar a mudança.

Para o PCP a necessidade da luta não afrouxa e por isso continuá-la-emos, como será já esta semana com as várias concentrações distritais convocadas pela CGTP-IN, que no caso de Aveiro será no próximo dia 27, contando também com muitos/as eleitores/as que acabaram por não defender os seus próprios interesses com o voto nas presidenciais mas que não deixam, por isso, de ter fortíssimas razões de queixa e de protesto. Até porque, como rápida e lamentavelmente veremos, a eleição de Cavaco Silva constituirá um factor de agravamento do declínio e das injustiças. Sendo muito importantes os momentos eleitorais, nem só de votos se faz a participação em democracia.

A Comissão Concelhia do PCP.Mealhada

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