Dando continuidade à denúncia da acentuada precariedade que se regista também no distrito de Aveiro e nomeadamente em S. João da Madeira, militantes da organização do PCP contactaram os trabalhadores da FAURÉCIA, entre a mudança de turno.

Deste encontro, confirmou-se o que já se sabia: uma boa parte destes trabalhadores, sobretudo os mais jovens, são contratados por seis, três ou mesmo um mês, conforme as necessidades pontuais da empresa!

Estamos a falar da maior empresa da região, com cerca de mil e quinhentos trabalhadores e que se afirma com avultados lucros!

Mas os lucros desta multinacional, não se compadecem com o impacto negativo nas pessoas, nas famílias, pela instabilidade provocada com a precariedade dos seus trabalhadores: usa empresas de mão-de-obra, com gabinetes instalados nas suas instalações para aí fazerem a triagem e a colocação temporária dos candidatos ao emprego. E se alguns destes, ao fim de vários contratos, acabam por ficar trabalhadores da FAURÉCIA, têm que colocar o “conta-quilómetros a zero” porque a empresa não lhes reconhece o tempo que lá trabalharam antes.

Mas também os mais antigos, são alvo desta falta de respeito pelo trabalho, pelos trabalhadores: são pressionados no sentido de “negociarem” a sua saída precoce, obstaculiza-se e tenta-se acabar com a contratação coletiva – instrumento fundamental à segurança dos trabalhadores no seu vínculo laboral!

Aumentos salariais, é coisa que não se coloca, no meio de toda esta desregulamentação - a parte que contribui decisivamente para ao lucros da empresa, os trabalhadores, não é considerada na sua distribuição – desta forma, também se aumenta o lucro do capital! É muito pouco humana, a falta de consideração pelas pessoas, pelas famílias, numa empresa, repetimos, que tem lucros consideráveis!

Mas não se pense que no concelho, no distrito e no país, esta é a única empresa que não admite os seus trabalhadores de forma direta e com respeito pelos seus direitos, que tem trabalho precário, que tenta “despachar” os seus trabalhadores mais antigos para os poder substituir por precários, mais baratos e descartáveis, que não negoceia com os sindicatos a contratação coletiva!

Neste concelho, nesta região, neste distrito, neste país, generalizou-se este procedimento das empresas, sobretudo nas multinacionais!

Do contacto com os trabalhadores da FAURÉCIA, reafirmou-se a convicção de que é preciso avançar na luta pelos direitos dos trabalhadores, com mais organização, mais intervenção e que é preciso concretizar as propostas apresentadas pelo PCP na Assembleia da República para combater de forma séria e determinada a precariedade laboral.

S. João da Madeira, 26 de Fevereiro de 2016
Comissão Concelhia de S. João da Madeira do PCP

 

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