Carlos Carvalhas debate crise capitalista em S. João da Madeira Carlos Carvalhas debate crise capitalista em S. João da Madeira Plateia seguiu atentamente a exposição dos oradores em S. João da Madeira Plateia seguiu atentamente a exposição dos oradores em S. João da Madeira Na mesa, Carlos Carvalhas, Fátima Guimarães e, no uso da palavra, Miguel Viegas LIBERDADE * DEMOCRACIA * SOCIALISMO - UM PROJECTO DE FUTURO

Decorreu esta sexta-feira na Biblioteca Municipal de S. João da Madeira um debate com o tema “Crise Capitalista: ponto de situação e perspectivas”. Participaram neste debate, como oradores, os economistas Carlos Carvalhas, conhecido dirigente do PCP e actual membro do Comité Central e Miguel Viegas, professor universitário e dirigente regional do Partido. Fátima Guimarães, professora e membro da Comissão Concelhia de S. João da Madeira e da DORAV, dirigiu a sessão.

Esta iniciativa excedeu as expectativas, tendo-se verificado a presença de cerca de uma centena de pessoas. A organização viu-se obrigada a duplicar o número de cadeiras, adicionando, outras tantas, às quatro dezenas que, inicialmente, estavam dispostas na sala. Ainda assim, havia muita gente de pé.

Áudio da intervenção de Carlos Carvalhas

Na mesa, Carlos Carvalhas, Fátima Guimarães e Miguel Viegas

Perante uma plateia interessada, Carlos Carvalhas dissecou a actual crise económica, evidenciando as suas raízes, denunciando toda a campanha de mistificação em curso e propondo soluções para a sua superação. A actual crise, que é grave e profunda, não decorre de qualquer desequilíbrio conjuntural passível de ser corrigida com medidas mais ou menos pontuais. Nas palavras de Carlos Carvalhas, esta crise é estrutural resultando de um profundo e crescente desequilíbrio entre a produção e a capacidade aquisitiva da população. Se foi possível ao longo das última décadas manter o consumo graças ao crédito fácil avançado pela banca, o facto é que este recurso esteve na origem de uma gigantesca bolha especulativa que rebentou em 2007 nos Estados Unidos e rapidamente alastrou para o resto do mundo. Nos últimos tempos, recursos colossais têm sido canalizadas pelos governos dos mais diversos países, entre os quais Portugal, para salvar a banca, à custo da generalidade dos contribuintes que em nada contribuíram para a crise. Paradoxalmente, são agora os bancos e seus agentes, a especular com as dívidas públicas contraídas para estabilizar o sector financeiro.

Apesar das ofensiva ideológica que promove até à náusea a inevitabilidade das soluções apresentadas pelo governo e dos necessários sacrifícios que terão que incidir mais uma vez sobre os mesmos de sempre, existem soluções alternativas para tirar Portugal desta situação. Soluções que têm sido propostas pelo PCP ainda esta semana, destinadas por um lado a resolver questões imediatas como seja a questão do financiamento da nossa economia, e por outro a relançar a nossa economia, desenvolvendo a produção nacional e combatendo de forma consistente o nosso desequilíbrio externo. Importa por isso, segundo Carlos Carvalhas, renegociar a dívida procurando alargar esta frente de combate contra as imposições do BCE a outros países com a Irlanda a Grécia ou a Espanha. Importa também diversificar a dívida, procurando outras fontes de financiamento junto de outros países mas apostando igualmente na poupança interna. Importa nacionalizar a banca, porque a moeda é um bem público que deve estar ao serviço da economia e não o contrário.

Na sua intervenção, Miguel Viegas focalizou-se na criação da União Económica e Monetária que, ao longo das suas diversas fases, foi amarrando as economias Europeias mais periféricas aos interesses do eixo franco-alemão. Se Portugal hoje perdeu e continua a perder competitividade nas suas exportações, se ficou na prática amputado e instrumentos fundamentais de politica monetária e fiscal, isto deve-se em grande parte ao euros, tal como de resto o PCP denunciou em tempo oportuno. O tempo veio infelizmente dar-nos razão.

Do debate, viriam igualmente importantes contributos, com opiniões, testemunhos e perguntas dirigidas à mesa. Como denominador comum, uma profunda inquietação relativamente ao futuro, mas, também, uma grande confiança nas propostas do PCP e na sua capacidade de mobilização cada vez mais amplas camadas da população que clama por mais desenvolvimento e mais justiça social.

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