1. Os resultados da Greve Geral no distrito de Aveiro constituem um importante contributo na luta dos trabalhadores e do povo desta região contra o Pacto de Agressão. A adesão em muitas empresas e locais de trabalho, do sector público e empresarial do Estado e do sector privado, são muito significativos, muitas vezes semelhantes ou até superiores aos de 24 de Novembro, e consubstanciam uma derrota da política do Governo e dos partidos da troika, das alterações à legislação do trabalho, da exploração e da pobreza impostas pelo PSD/CDS/PS, ao serviço do capital financeiro. A Greve Geral de 22 de Março derrotou as manobras de ocultação e manipulação e criou melhores condições para a luta dos trabalhadores por uma nova política patriótica e de esquerda.

2. A dimensão da Greve Geral é ainda mais significativa tendo presente que o Pacto de Agressão é devastador para os trabalhadores e as populações, que enfrentam enormes dificuldades. No distrito, o desemprego real é superior a 75 mil trabalhadores, crescem os encerramentos e insolvências (em 2011 faliram 2500 PMEs), as multinacionais aproveitam para deslocalizar e despedir, cresce o corte de remunerações, disparam os salários e subsídios em atraso, os bancos de horas e horários e regimes de lay-off abusivos. Os trabalhadores são o alvo destas situações na Cortal, Cifial, Faurécia, Gestamp, Revigrés, Auto-Geiza, Álvaro Coelho, Transportes Figueiredo, Irmãos Cavaco, Pavicento, Makro, Inditex-Zara, Grupo Cortefiel-Springfield, Women'Secret, Artilabel-Califa, Trecar, Aveicorte, Carpex, Siaco, Move-On, Ajax, Landina, Meigo, etc..

3. Nestas condições difíceis, muitas escolas, agrupamentos, jardins de infância, repartições de finanças, serviços de segurança social, estações dos CTT, serviços municipais e de abastecimento de águas e outros serviços públicos foram afectados. Os hospitais e serviços de saúde funcionam muitas vezes em serviços mínimos. Os transportes públicos estão parados (Moveaveiro 100%), ou em serviços mínimos (caso da CP). O Porto de Aveiro está encerrado, o que representa um significativo avanço da luta dos seus trabalhadores.

4. No sector privado, destacam-se níveis de adesão positivos no sector automóvel (CACIA-Renault 30%), nas empresas metalúrgicas (Funfrap, 60%, Flexipol, 60%), no sector corticeiro (Amorim Revestimentos 83%, Socori 50%, Amorim Cork Composits 40%), no calçado (C. Dietz 100%, Glessmioni 90%, Move-on 60%), nas empresas têxteis (Califa 30%, Hubertricot 30%, Trecar 50%), nos hipermercados (Pingo Doce, Espinho, 50%).

5. Estes números demonstram que, também neste distrito, numa situação de enorme dificuldade, de extorsão, chantagem e intimidação, de manipulação e condicionamento ideológico, uma grande massa de trabalhadores adere à Greve Geral e aos seus mais importantes objectivos - dar combate à exploração e à pobreza, resistir ao pacto de agressão e ao desastre nacional, afirmar uma nova política em defesa de quem trabalha.

6. O PCP saúda a determinação dos trabalhadores na luta e apela à sua continuidade, ainda hoje, no quadro da Greve e nas concentrações nas cinco praças de informação sobre a Greve, que decorrem em todo o distrito. O PCP confia em que os trabalhadores saberão partir desta Greve Geral para novas batalhas na luta por uma política patriótica e de esquerda e por um Portugal com futuro.

Gabinete de Imprensa da DORAV

12h00, 22 de Março de 2011

Para o topo