A CDU organizou uma sessão pública no largo da câmara municipal da Feira sobre o acesso à água. Participaram neste sessão Miguel Viegas, candidato da CDU às eleições legislativas e Antero Resende do PEV, Partido Ecologista "Os Verdes".

A água sempre representou um sector altamente apetecível para as grandes multinacional tendo em conta a rigidez da procura que decorre do facto de estarmos a falar de um bem essencial à vida. À semelhança de outros processos, a privatização da água não trouxe nenhuns benefícios às populações, como é manifestamente o caso do concelho da Feira ou de Oliveira de Azeméis. A empresa exploradora desse bem essencial, a Indáqua, outrora propriedade da Mota Engil, passou a ser controlada pelo fundo de investimento Bridgepoint, depois de ter passado pelo Grupo Miya de origem israelita. Contra este sistema onde a lógica do lucro máximo prevalece, a CDU defende o fornecimento de água e saneamento dentro da esfera pública como condição essencial para assegurar a qualidade e acessibilidade do serviço e respeito pelos direitos dos trabalhadores e consumidores.

A privatização dos serviços de água e saneamento sempre foi uma velha reivindicação das grandes empresas multinacionais tendo em conta a possibilidade de retirar rendas exorbitantes que decorrem da venda em regime de monopólio de um bem essencial. A via da privatização foi sendo aberta por sucessivos governos, quer através da asfixia do poder local, que foi cedendo a rede de distribuição em baixa, quer através da imposição de um modelo de distribuição em alta, onde a holding estatal Aguas de Portugal, que esteve na lista de empresas a privatizar no tempo da Troika, detém 51% do capital.

A privatização da água e a introdução de um modelo de gestão empresarial na ADRA (Águas da Região de Aveiro) fez disparar o preço da água assim como de todas as taxas de ligação, entretanto tornada obrigatória mesmo em habitações rurais com captação própria. Desta forma, as empresas concessionárias apesar dos generosos contratos de concessão com lucros garantidos, acabaram amplamente remuneradas com uma rede financiada por fundos comunitários mas que a população acabou por ter de pagar duplamente a rede com as taxas de ligação e disponibilidade. A CDU não se opõe à necessidade de criar escalas supra-municipais para fazer face aos investimentos necessários para responder às crescentes exigências em matéria de fornecimento de água e saneamento. Neste sentido, a CDU, em coerência com as muitas lutas que acompanhou no distrito, defende um modelo em que as Câmaras tenham a maioria do capital dos sistemas intermunicipais, sendo esta a única garantia deste serviço ficar dentro da esfera pública. Quanto à rede em baixa, a CDU repudia todo e qualquer concessão a privados em nome da qualidade do serviço e da defesa dos interesses das populações e dos trabalhadores.

Segundo Miguel Viegas: "o exemplo da Feira e de outros concelhos do distrito onde a água foi concessionada, é representativa das consequências da privatização deste bem essencial. Em muitas cidades, dentro e fora de Portugal, as autarquias fazem contas à vida e verificam as consequências ruinosas destas concessões. A defesa da água pública está por isso na ordem do dia!".

Aveiro, 21 de Agosto de 2019

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