Apesar dos resultados positivos sentidos no sector do calçado, onde hoje com menos trabalhadores são produzidos produtos e serviços com mais inovação, qualidade, rapidez e valor, o que permite ganhos de produtividade e lucros elevados. Onde na ultima década o sector viu crescer o seu volume de negócios, onde o aumento da riqueza gerada nas empresas não é distribuído de forma justa entre o capital e os trabalhadores, razão pela qual a maioria dos trabalhadores das diferentes profissões da produção ganha o salário mínimo nacional ou valores muito próximos. Jovens e trabalhadores qualificados onde a precariedade, intensos ritmos, repressão, pressão psicológica, bancos de horas, adaptabilidades, e o excesso horas de trabalho diárias e semanais são a realidade dura e quotidiana dos trabalhadores destas empresas.

Apesar dos bons resultados no sector, a empresa de calçado MoveOn, ex-Aerosoles, detida pelos Indianos da Tata que está a produzir em Esmoriz, volta a ter em causa os postos de trabalho de 44 trabalhadores da produção do total de 68 trabalhadores ao serviço.

A MoveOn empresa de Esmoriz que detém a licença da marca para a Europa, Índia e África do Sul, anunciou o encerramento das 16 lojas Aerosoles na Península Ibérica, 9 em Portugal, em resposta à crise sentida pela casa-mãe nos Estados Unidos ao apresentar a sua insolvência e deixandouma dívida de dois milhões de euros em Portugal.

A MoveOn já contou com inúmeras intervenções do Governo e beneficiou de fundos da União Europeia, foram injectados por diversas vezes milhares de euros, para que a empresa se mantivesse a produzir em Portugal e garantir os postos de trabalho.

Estes trabalhadores que sendo novos para a reforma, são considerados velhos para o mundo do trabalho, cujo despedimento a concretizar-se irá agravar as já precárias condições de vida destes trabalhadores e suas famílias.

Por todas estas razões o PCP irá questionar o Governo no sentido de esclarecer por que razão, uma vez mais, uma Multinacional, a quem o Pais deu regalias para manter os postos de trabalho, continua a usar e abusar do País, não hesitando em destruir postos de trabalho, fragilizando o sector produtivo e o tecido produtivo para depois deixar a Segurança Social a braços com as prestações sociais que decorrem destes despedimentos.

 

Gabinete de Imprensa da DORAV
21 de Março de 2018

Para o topo