O que se passa em Estarreja não é novo, pois já em Maio de 1987 e através de comunicado, a Direcção Concelhia do PCP de Estarreja alertava para o facto das valências de Cardiologia, Otorrino, Hematologia, Obstetrícia, Ginecologia e Pediatria terem sido retiradas ao Hospital Visconde de Salreu. Acusava ainda o PCP, o facto da Câmara Municipal de então, ser "passiva, negligente e ter sérias responsabilidades em toda a situação, pois não era do domínio público, qualquer acção que contrariasse a retirada dessas especialidades."

A história repete-se. Ontem como hoje a Câmara tem sido passiva e conivente, permitindo que o HVS esteja a ser desmantelado, sem que assuma com actos visíveis a sua defesa, apesar dos sucessivos alertas dados pelo PCP e pela Comissão de Utentes do Hospital.

Desde 1987 até hoje, outras valências foram retiradas e como compensação, foi criado a Unidade de Cirurgia de Ambulatório, que graças ao esforço e competência dos profissionais de saúde que a integram, vem de há dois anos a esta parte a ser classificada pela Entidade Reguladora de Saúde, entre as cinco melhores unidades de cirurgia de ambulatório do país.

Apesar do serviço de excelência prestado às populações, o "Plano Estratégico do Centro Hospitalar do Baixo Vouga", da responsabilidade do Ministério da Saúde, previa o encerramento da cirurgia de ambulatório no Polo de Estarreja a partir de 1 de Julho de 2013 e a sua transferência para o Polo de Águeda, apesar deste hospital não reunir condições para avaliação e isto segundo a própria Entidade Reguladora de Saúde. Este encerramento foi travado pelo movimento de protesto desencadeado, e a que a Câmara se viu obrigada a juntar para não perder o comboio em pleno período eleitoral.

Os ataques ao Hospital de Estarreja recomeçaram em 15 de Setembro, pois até essa data, eram efectuadas cirurgias quatro dias por semana, tendo então sido reduzidas para metade (dois dias por semana). A partir do dia 30 de Dezembro, as cirurgias passaram apenas a ser efectuadas durante dois meios-dias por semana, prevendo-se que este serviço encerre definitivamente no fim de Janeiro.

Com este esvaziamento de valências, o que pretende o governo, mais não é que tornar inoperante o Hospital de Estarreja para o encerrar depois!

A Câmara Municipal de Estarreja é conivente com este programa, pois não tem publicamente evidenciado qualquer iniciativa em defesa do Hospital e consequentemente de protecção da assistência e cuidados de saúde dos seus munícipes.

O PCP repudia este procedimento deplorável do governo que com estas acções e similares vai destruindo o Serviço Nacional de Saúde, transferindo para exploração por privados a assistência na doença, o que efectivamente contraria o expresso na Constituição da República, onde a assistência na doença é um direito inalienável de qualquer cidadão, independentemente da sua condição social e económica.Por outro lado, continua com a sua ruinosa política de austeridade, a mandar pessoas para o desemprego, a reduzir-lhe os salários, a roubar-lhe nas pensões de reforma e com as suas acções intimidatórias, pretende criar um clima psicológico que leve as pessoas a aceitar, com naturalidade, os novos assaltos e a continuação do empobrecimento da sociedade.

Por isso, o PCP apela à mobilização das populações em defesa do seu Hospital, do Serviço Nacional de Saúde e em acções de protesto exigindo a demissão do governo.

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