À terceira foi de vez!

O PCP, na Assembleia Municipal de Estarreja de 30 de Setembro, apresentou pela terceira vez uma moção pelo direito à saúde «Garantir o direito à saúde ao povo de Estarreja» Esta moção já tinha sido apresentada em Abril de 2018, tendo sido rejeitada, com os votos contra do PS e do PSD, com o argumento de ser um assunto de elevada importância e merecer uma discussão mais aprofundada.

Em Junho do mesmo ano, como não tinha sido agendada qualquer Assembleia para discutir a situação da saúde no concelho, a moção foi de novo apresentada à assembleia. Esta moção foi retirada perante o compromisso da mesa da assembleia, de desenvolver as diligências para que este assunto fosse discutido de uma forma mais aprofundada.

Passados mais de dois anos, continuando sem ser marcada qualquer Assembleia Extraordinária, o PCP apresentou novamente a moção. E desta vez foi aprovada, com a única abstenção do Presidente da União de Freguesias de Beduído e Veiros.

Enquanto uns reclamam para si esta ou aquela iniciativa, o PCP apoiou e apoia a população na sua luta por melhores serviços de saúde em Estarreja, nomeadamente pela abertura do serviço de urgência, dando voz na Assembleia Municipal às reivindicações da população.

Vale pena lutar!


Estarreja 2 de Outubro de 2020
A comissão concelhia de Estarreja do PCP

 

MOÇÃO

“Garantir o direito à saúde ao povo de Estarreja”

O direito à saúde consignado na constituição da república portuguesa é um direito universal. Não pode assim estar dependente de razões geográficas, de interesses regionais ou gestionários.

Nos últimos anos, verificou-se a degradação do Serviço Nacional de Saúde, tendo o concelho de Estarreja sido seriamente afectado. Encerraram as extensões de saúde na freguesia de Fermelã, Canelas e Veiros limitando assim o acesso aos cuidados de saúde primários destas populações, e de forma continuada, foram encerrados serviços e diminuídas valências no Hospital Visconde de Salreu.

As promessas de investimento nos serviços de saúde tardam em cumprir-se: a promessa de um novo hospital no concelho ou do melhoramento dos centros de saúde existentes continuam por realizar.

Entretanto a população de Estarreja vê o seu acesso à saúde cada vez mais limitado. Nos cuidados primários continuam a faltar médicos de família e serviços de enfermagem que possam atender as necessidades da população. As situações de saúde com exigência de meios auxiliares de diagnóstico ou de especialidade (mesmo as mais comuns) empurram as pessoas para o Hospital de Aveiro, Ovar ou Feira.

Perante necessidades de intervenção cirúrgica, ainda que de ambulatório, a deslocação ao Hospital de Aveiro/Águeda é obrigatória. 

Nas situações de urgência a população do concelho de Estarreja não encontra resposta na consulta aberta, com horário pré-estabelecido e sem qualquer acesso a meios de diagnóstico, sendo obrigada a deslocar-se para o serviço de urgência do hospital de Aveiro, já de si com limitadas capacidade de resposta e onde, não poucas vezes, são sujeitos a longas esperas.

Para além do direito de acesso da população  do concelho de Estarreja a cuidados de saúde de qualidade, o Serviço Nacional de Saúde tem também um importante papel a desempenhar  na prestação de cuidados de emergência. Num concelho com acesso a duas vias rápidas que o atravessam, com uma forte circulação rodoviária na estrada nacional 109, com a linha de caminhos de ferro do norte e com um complexo industrial de potencial perigosidade, importa também dotar o concelho de serviços capazes de responder eficazmente à primeira linha de combate e socorro em situações de emergência.

Ainda este ano a população do concelho de Estarreja, demonstrou a sua vontade de ver  o serviço de urgências reaberto, através de uma petição, que contou com o apoio do PCP desde o seu lançamento à sua entrega na assembleia da república,  a 27 de Fevereiro tendo sido aceite e futuramente discutida.

Face ao exposto, a Assembleia Municipal de Estarreja, reunida em 30 de Setembro de 2020 reclama da Câmara Municipal o empenho e as diligências necessárias para junto do governo exigir:

  1. a concretização da resolução aprovada na Assembleia da República que define a construção do novo Hospital de Estarreja;
  2. a abertura de um serviço de urgência básica no actual Hospital Visconde de Salreu  até à  abertura do novo hospital;
  3. a requalificação  dos serviços de saúde primários, quer em instalações quer em recursos humanos.
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