Se os lucros não são distribuídos pelos trabalhadores, porque é que à primeira dificuldade são os trabalhadores a pagar a factura?

A actual crise sanitária provocada pelo virus Covid-19, tornou ainda mais evidente as fragilidades e pressões a que os trabalhadores são sujeitos e em particular os trabalhadores com vínculo precário.

 O Grupo Simoldes – Plastic Division um dos maiores empregadores do concelho de Oliveira de Azeméis, teve no ano de 2018 Resultados líquidos acima dos 10 milhões de euros (segundo a lista das 500 melhores empresas de Aveiro), isto só nos Plásticos. Além disso, este grupo tem recorrido a fundos comunitários para expandir o seu negócio.

O PCP já tinha alertado para a fragilidade dos seus trabalhadores onde num comunicado em 2018 dizia: “Quem aqui trabalha com vínculos precários, mas ocupa postos de trabalho permanentes, a única certeza que tem é a incerteza quanto ao seu futuro, apesar deste grande grupo que é a Simoldes ter um futuro bem claro e prospero”, “Para além da precariedade, também a imposição dos bancos de horas, que não passam de um depósito de horas de trabalho não remunerado, é uma realidade. Para quem se recusa a aceitar os bancos de horas, a ameaça e repreensão são uma constante.”.

À primeira dificuldade trazida pelo Covid-19 a empresa enviou os seus trabalhadores para casa, impondo férias ou recorrendo ao banco de horas, a partir do dia 19 de Março, não por preocupação com a sua saúde, mas porque a empresa deixou de poder entregar a mercadoria aos seus clientes, conforme consta de um Comunicado emitido pelo proprietário do Grupo, o Sr. António Rodrigues, aos seus trabalhadores.

No entanto, os primeiros a serem dispensados foram os trabalhadores da empresa de trabalho temporário Kelly, apesar de terem sido informados que após este período poderiam voltar ao trabalho, demonstrando assim o efeito pernicioso do regime do trabalho temporário. São centenas de trabalhadores que ficam com a vida suspensa apesar de fazerem falta todos os dias.

Os trabalhadores da Simoldes, que muitas vezes viram recusada a sua vontade de usar o banco de horas para tratar de coisas pessoais ou para descansarem um tempo, veem agora esta solução imposta.

Para o PCP os direitos não estão de quarentena não sendo assim admissível serem os trabalhadores a pagar a factura.

Oliveira de Azeméis, 31 de Março de 2020
A Comissão Concelhia de Oliveira de Azeméis do PCP

 

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