Realizou-se no Sábado, no museu da chapelaria em S. João da Madeira, o encontro de quadros CDU do distrito de Aveiro.
Esta iniciativa contou com a participação de Pedro Guerreiro, membro do CC e deputado do PCP no parlamento europeu e Carlos Gonçalves, da comissão politica, comunistas, membros do partido ecologista os verdes e independentes, procuraram reflectir sobre os três actos eleitorais deste ano.

 

Declaração do Encontro de quadros CDU do distrito de Aveiro
S. João da Madeira, 9 de Maio de 2009
1.
Trinta e três anos de política de direita, que conheceram nestes últimos quatro anos de governo PS um novo desenvolvimento, fizeram de Portugal um país mais dependente, injusto e desigual e menos democrático e colocaram o distrito de Aveiro numa situação económica, social e ambiental gravíssima.
Trinta e três anos traduzidos no agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, no desemprego, no aumento da exploração e das desigualdades, na distribuição cada vez mais injusta do rendimento nacional, no estrangulamento dos orçamentos das famílias e na condenação à ruína da agricultura familiar e de milhares de pequenos e médios empresários.
Trinta e três anos traduzidos na crescente dependência e subordinação externa do país, na substituição da produção nacional pela estrangeira, no avolumar dos défices estruturais, no abandono do aparelho produtivo e na destruição ruinosa da produção nacional.
Trinta e três anos traduzidos na liquidação de direitos e conquistas políticas, económicas e sociais, no ataque ao sistema público de ensino, ao serviço nacional de saúde e ao sistema público de segurança social e no desmantelamento da administração e dos serviços públicos.
O Encontro de quadros CDU do distrito de Aveiro sublinha que, ao contrário do que os responsáveis pela política de direita procuram fazer crer, não é agora e apenas no agravamento da crise do capitalismo que residem as razões que conduziram à actual situação nacional, mas sim, na acção conjunta de PS, PSD e CDS-PP em todos estes anos de governação do país.
A ofensiva das políticas de direita do Governo do PS, com uma intensidade sem precedentes, é indissociável da maioria absoluta. O Encontro alerta para as manobras que, a pretexto da “crise” e da “governabilidade”, visam perpetuar o poder absoluto do PS, ou do PS coligado com o PSD ou o CDS, para prosseguir e agravar a mesma política, ao serviço do grande capital.
O Encontro reafirma que, em vez da absolutização da “estabilidade governativa”, o que o país necessita e exige é uma política que garanta a estabilidade política e o progresso social, a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e do povo e a defesa dos interesses nacionais.
A construção de uma nova política tem na luta de massas, dos trabalhadores e das populações, um  instrumento e condição determinante para combater a resignação e as “inevitabilidades”, que as forças e partidos da política de direita procuram difundir, e para afirmar que é possível e inadiável um novo rumo e uma vida melhor, num país mais justo, desenvolvido e soberano.
2.
O ciclo eleitoral de 2009, com eleições europeias, legislativas e autárquicas, assume uma importância e significado muito superior ao que cada um dos actos eleitorais em si mesmo representa. Estas três eleições constituem uma oportunidade de afirmar a condenação da política de direita e do Governo PS e a exigência de um novo rumo para o país.
O reforço da influência eleitoral da CDU - coligação do PCP e do PEV, que integra a ID e milhares de independentes -, é a condição mais essencial para a ruptura com a política de direita e para abrir caminho a uma alternativa, vinculada aos valores de Abril e da Constituição.
As eleições de 2009 são o momento do reencontro e da confluência no voto na CDU da larga corrente de indignação, protesto e resistência que se ergue contra a política do actual governo.
As eleições são o momento de afirmar a vontade efectiva de mudança de política que mobiliza os trabalhadores e o povo nas pequenas e grandes lutas, no distrito e no país, nos protestos, nas greves e nas grandes manifestações destes quatro anos, do 13 de Março e do 1º de  Maio de 2009 e na Marcha de Protesto, Confiança e Luta – Nova Política, Vida Melhor, convocada pela CDU para 23 de Maio em Lisboa.
As eleições são o momento de levar a luta ao voto na CDU – o próprio dia das eleições, desde logo o 7 de Junho, deve ser considerado como dia de luta dos trabalhadores e das populações - por uma política alternativa de resposta aos problemas do país, que tenha como objectivo a justa distribuição do rendimento e a qualificação da vida das populações laboriosas, assentes na valorização dos salários, reformas e pensões e numa nova política fiscal e de segurança social.
Uma nova política que vise o pleno emprego, assente numa economia mista, no apoio às pequenas e médias empresas, na dinamização da actividade económica e do investimento público, na defesa do aparelho produtivo nacional - indústria, agricultura e pescas - no reforço do papel do Estado - na banca, seguros, energia, transportes, telecomunicações -, na defesa do emprego com direitos, no combate à precariedade e no reforço da protecção social
Uma nova política que valorize os serviços públicos, o carácter universal, gratuito e de qualidade do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública e a defesa do sistema público de Segurança Social.
Uma nova política que qualifique o ambiente, o património, o ordenamento do território, as condições de vida das populações e o desenvolvimento equilibrado das autarquias, do distrito e do país.
Uma nova política que defenda as liberdades, direitos e garantias e combata a corrupção, que defenda e valorize a língua e a cultura portuguesas e promova a livre criação e fruição artísticas como parte integrante do desenvolvimento do país e da elevação do conhecimento.
Uma nova política que afirme Portugal como um país livre e soberano, que rompa com a política de consenso pantanoso e neoliberal do PS, PSD e CDS/PP de subserviência face à União Europeia, e que defenda com firmeza o interesse nacional e a paz e cooperação entre os povos.
3
Força de Abril, de cujo reforço depende um novo rumo para o país, a CDU apresenta-se a estas eleições como a grande força de esquerda, espaço de convergência e acção unitária de todos os que não se resignam com as políticas ruinosas que têm desgovernado o País, de todos os que aspiram a uma viragem na política nacional.
Pela sua coerência, responsabilidade, percurso unitário e democrático, pela marca distintiva, relativamente ao BE, PSD e CDS/PP, de ruptura inequívoca com a política de direita, de soberania e combate ao federalismo, a CDU afirma-se como a única força cujo reforço eleitoral pode pôr fim à alternância e tornar possível uma alternativa.
Pelo seu património autárquico, de trabalho, honestidade, competência e isenção, respeito pelos compromissos, defesa intransigente dos interesses do povo, da causa pública, do poder local e do seu conteúdo democrático, a CDU afirma-se como única força portadora da vontade, capacidade e saber indispensáveis à construção de uma vida melhor.
Espaço de convergência de causas e lutas, de proposta e intervenção, na CDU cabem todos os trabalhadores, reformados e pensionistas, intelectuais e quadros técnicos, pequenos empresários da agricultura, pescas, indústria e serviços, mulheres e jovens ofendidos nos seus direitos, democratas e patriotas que sentem Portugal ameaçado como pátria independente e soberana.
O Encontro reafirma que a questão mais decisiva neste ciclo eleitoral está em fazer da CDU o espaço onde confluam todos os que confiam que é possível uma vida melhor, que é possível convencer pela razão e justeza das suas posições políticas e vencer pelo trabalho e pela luta, por um distrito de Aveiro e um Portugal de progresso e justiça social.
4.
Face às manobras em curso para fazer esquecer as responsabilidades e incapacidade do PS de resolver os problemas do país, semear o desânimo e promover falsas alternativas e soluções inconsequentes, o Encontro sublinha a necessidade de afirmar o projecto CDU, em todos os momentos e circunstâncias deste ciclo eleitoral.
O Encontro valoriza a lista CDU candidata às eleições do Parlamento Europeu, em que se integra um candidato do distrito, como um contributo de grande importância para o combate por uma vida melhor em Portugal e um novo rumo para a Europa.
O Encontro sublinha a importância da construção de programas e listas da CDU às autarquias, amplamente unitárias e representativas, que sejam expressão dum projecto para melhorar a vida das populações em todos os concelhos e num número mais elevado de freguesias do que as 116 a que a CDU concorreu no distrito nas eleições de 2005.
O Encontro sublinha a necessidade da construção de propostas e de uma lista CDU às eleições legislativas por Aveiro, que traduzam a ligação profunda às aspirações mais sentidas dos trabalhadores e das populações laboriosas e afirmem um contributo relevante para uma alternativa à esquerda na política nacional.
O Encontro valoriza a necessidade da uma campanha activa, dinâmica, baseada na afirmação, intervenção e mobilização das estruturas locais e das forças e activistas que integram a CDU, assente no contacto directo, na informação, no esclarecimento e no convencimento, capaz de levar de vencida sentimentos de desânimo e conformismo, que muitos anos de políticas de direita instalaram em tantos portugueses.
Uma campanha que responda às exigências de três actos eleitorais em quatro meses, concebida para assegurar que a dinâmica de cada acto eleitoral se projecta no objectivo geral de reforço da CDU, alicerçada nos problemas concretos das autarquias, do distrito e do país e nas propostas e medidas necessárias, tendo como objectivo estratégico a ruptura com a política de direita e um novo rumo para Portugal.
O Encontro destaca a importância do empenhamento dos activistas da CDU que, conjugando a dinâmica nacional e as campanhas das listas autárquicas, assegure a concentração de forças nas primeiras eleições – do Parlamento Europeu –, que permitam construir um resultado, que potencie a intervenção de centenas de candidatos e activistas CDU e se projecte nas campanhas e resultados das legislativas e autárquicas.
A mobilização e empenho dos activistas da CDU são decisivos para demonstrar e concretizar a necessidade e possibilidade do reforço em votos e mandatos, no Parlamento Europeu, nas autarquias e na Assembleia da República, com a eleição de um deputado da CDU pelo distrito de Aveiro.
5
O Encontro dirige-se aos activistas da CDU - a todos os que reconhecem na CDU a força indispensável aos trabalhadores, ao povo e ao país, aos valores da democracia, da igualdade, da justiça e do progresso social; a todos os que reconhecem na CDU um património de propostas e soluções para dar resposta aos problemas nacionais; a todos os que confiam na CDU como uma força capaz de assumir todas as responsabilidades indispensáveis à efectiva mudança de política – para que, com determinação e confiança, contribuam para alargar o esclarecimento e ampliar, na consciência de mais e mais cidadãos do distrito, a convicção de que está no reforço da CDU a mais sólida garantia de abrir caminho à esperança e a uma vida melhor.
S. João da Madeira, 9 de Maio de 2009
O Encontro Regional de quadros CDU do distrito de Aveiro
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