Última reunião da Comissão Concelhia de S. João da Madeira do PCP analisou a situação política e social do nosso país e diagnosticou de forma mais aprofundada a situação do Concelho de S. João da Madeira. Após esta reflexão, torna pública a sua preocupação com as consequências da gravosa situação a que as políticas desenvolvidas no país o estão a conduzir, baseando-se na constatação da situação particular do nosso Concelho.

A crise económica agrava-se e o Governo tem como preocupações centrais resolver os problemas dos grandes grupos económicos e salvar o capital financeiro. As medidas propostas não consideram dar resposta aos grandes problemas que afectam a maioria dos portugueses:
Enquanto os quatro maiores bancos privados anunciam que os lucros obtidos no primeiro trimestre deste ano subiram em relação a igual período do ano anterior; aumenta o desemprego causado pelo crescente encerramento de empresas e serviços, fragilizando-se e precarizando-se o emprego (por exemplo com o acentuar de empresas que de forma justificada ou “à boleia da crise” entram em lay off, ou simplesmente, reduzem direitos aos trabalhadores).

O nosso concelho sujeito durante os últimos anos ao encerramento de empresas de calçado, de têxteis, assim como de pequeno comércio, tornaram-no um dos que detêm maior taxa de desemprego do país. Mais recentemente, empresas com maior dimensão e com muitas dezenas de trabalhadores ressentem-se. A Oliva e a Califa não conseguem manter uma laboração regular e a maior empresa do concelho, a Faurécia, para além de “dispensar” dezenas de trabalhadores precários, mantém cerca de 400 dos seus cerca de 2000 trabalhadores em regime de lay-off. Estes, entre outros casos, estão a produzir efeitos no tecido social sanjoanense que preocupam a organização local do PCP.

Enquanto a situação dos vínculos de trabalho e as condições laborais se degradam, não param de aumentar os preços de bens e serviços: nos últimos anos aumentaram o preço dos transportes, da água, da electricidade, das taxas moderadoras!... Isto explica o aumento de pessoas que procuram os centros comunitários do concelho e o surgimento de um novo tipo de pobres: aqueles que, apesar de terem emprego, não conseguem cobrir as suas despesas de sobrevivência apenas com o seu salário.
Passamos simultaneamente a assistir ao recrudescimento da emigração. É evidente o fluxo daqueles que, por causa destas condições sociais, procuram países como a Suíça, Angola, ou outros. Parte deste grande grupo são mulheres a quem o desemprego mais atinge.

Esta é uma situação que deriva, em primeiro lugar, das políticas provenientes do poder central, que ao momento, são da responsabilidade directa do Partido Socialista. No entanto, não percebemos por parte da autarquia um envolvimento e uma postura activa e eficaz, no sentido de minorar nestes efeitos, atenuando a angústia de tantas famílias sanjoanenses.

Não concebemos que, localmente, se possam pensar em grandes investimentos, obras “a dar no olho”, passeatas ou festas, enquanto haja sinais evidentes de problemas de subsistência em tantas famílias que compõem o concelho sanjoanense!

Do levantamento real destes casos deverá decorrer um conjunto de medidas por parte daqueles que, ao serem eleitos, declararam colocar-se ao serviço do bem-estar dos sanjoanenses. De todos os sanjoanenses!

O PCP contesta que esta crise seja uma inevitabilidade, sem solução e sem culpados.
Identificamos a sua origem nosso país há 33 anos. Coincide com o processo de regressão das conquistas de Abril, provocada por políticas de direita, neoliberais, que têm na mira a concentração de lucros desenfreados na mão de muito poucos. Foi agora acentuada e agravada com a situação internacional.
Estas políticas avançam esmagando os indivíduos e fazendo regredir, em alguns aspectos, a vida dos povos ao início do século.

O PCP entende que é possível, rompendo com estas políticas, criar as condições para repor caminhos que tenham em conta a pessoa humana e as condições para a sua felicidade.



Comissão Concelhia de S. João da Madeira do PCP

Para o topo