Na sequência da polémica gerada em torno da abertura e início de funcionamento da E.B.1 do Murado em Mozelos a CDU, tendo sido contactada por pais e encarregados de educação deste estabelecimento de ensino, decidiu visitar e apurar, in loco, as condições em que foram “inauguradas” e postas em funcionamento as citadas instalações.

 

Assim, uma delegação composta por Antero Resende e Luís Quintino pôde ontem, pelas 18 horas, ouvir no local representantes dos encarregados de educação e tomar nota das suas preocupações aproveitando ao mesmo tempo para comprovar a realidade dos factos.

Não levanta qualquer dúvida que se trata de um investimento que todos enaltecem embora nos pareça mal dimensionado no que se refere ao número de salas de aula, sem grande visão de futuro, pois só foi atendida a realidade e a necessidade actual.

São bem visíveis as preocupações de dotação de equipamentos para certificação ambiental do edifício escolar, mas parecem-nos que essas mesmas preocupações não foram tidas em atenção quando se aprovou e implantou o edifício numa zona húmida de corga e ribeiras, movimentando-se inclusive o aterro para o leito de cheia da ribeira. Toda a confrontação do edifício virada a Sul e Nascente carece de intervenção no sentido da eliminação de infestantes, evitando-se assim ao mesmo tempo que este espaço possa vir a acoitar a presença de elementos indesejáveis à comunidade.

Verificámos também que as crianças, atendidas no interior do edifício escolar no seu mais ínfimo pormenor das suas necessidades básicas, ao sair do mesmo, estarão à chuva, sem qualquer zona adequada de abrigo.

Sabendo o quão importante é para o crescimento físico e intelectual da criança o jogo e a brincadeira, de igual modo não se entende a inexistência de qualquer equipamento ou mobiliário nos recreios, a ausência de bebedouros, de caixotes do lixo. Na ausência quase total de árvores dentro do perímetro escolar, não foi construída qualquer cobertura de ensombramento pelo que se pressupõe que, na visão dos autores do projecto, as crianças devem permanecer todo o período em que estão na escola dentro do edifício, salvaguardando assim a sua saúde nos dias de chuva no Inverno, ou de estio no Verão. Verifica-se que atenderam ao princípio que é preconizado pelo tratado de Salamanca “todas as crianças tem o direito a receber o tipo de educação que não as descrimine seja por que razão for, tal como casta, etnicidade, religião, situação económica, estatuto de refugiado, língua, deficiência, etc” criando uma rampa para crianças com mobilidade reduzida, mas esqueceram-se de colocar um anteparo de ajuda ou corrimão de segurança, terminando inclusive a rampa num lancil intransponível para uma cadeira de rodas.

É igualmente de apontar o cuidado que se teve na iluminação do edifício enquanto elemento arquitectónico, feita com potentes focos de luz apontados no sentido inverso ao solo, e, o completo descuramento dos espaços exteriores neste âmbito, sendo que, passados poucos dias do inicio das aulas, as crianças já saem noite cerrada da escola.

Mas outras situações saltam aos olhos dos mais leigos, tal é o atropelo às regras básicas de segurança que assumidamente constituem, como são o caso da vedação em rede com pontas na vertical a pouco mais de um metro de altura, um muro facilmente transponível e um portão que em caso de necessidade de entrada de um autotanque ou auto-escada terá de ser arrombado, por insuficiente largura.

Todo o perímetro escolar apresenta amplos espaços a relvar, mas não se vislumbra qualquer sistema de rega no terreno, sendo que segundo os encarregados de educação presentes, algumas das tampas de saneamento estão a marcar minas de rega pois a escola foi construída em cima das mesmas. É tamanha a nascente de águas no local que, uma cova de acentuadas dimensões e profundidade, estando aberta paredes meias com o portão escolar tem necessidade de ser escoada periodicamente. Não se lhe conhecendo qualquer fim ou utilidade representa no entanto um perigo real, dada a curiosidade natural das crianças face à sua mais que ridícula vedação.

Todas estas questões não deixarão de ser levantadas pelos eleitos da CDU junto dos órgãos autárquicos competentes com objectivo de rapidamente serem resolvidas as lacunas e deficiências do referido centro escolar.

 

Santa Maria da Feira 11 de Setembro de 2009.

Comissão Coordenadora da CDU/ Santa Maria da Feira

 

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